Arquivo mensal 28 de Dezembro, 2025

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Missa de Intercessão – Nossa Senhora Desatadora dos Nós

Há nós que parecem impossíveis de desatar. Situações que pesam no coração, intenções difíceis, dores silenciosas, decisões complicadas…
E há uma Mãe que sabe cuidar de tudo isso. 💙

A Comunidade Emanuel e as Igrejas de Arroios e Anjos convidam-te, no primeiro sábado de cada mês, para uma Missa de Intercessão a Nossa Senhora Desatadora dos Nós, seguida de grupos de intercessão.

🙏 És convidado(a) a confiar a Maria uma intenção particularmente difícil — aquele “nó” que já tentaste resolver de tantas formas. Estamos contigo para desatar todos os nós da tua vida: nós familiares, nós no trabalho, nós de vícios…
Maria escuta, acolhe e intercede.

📅 Primeiro sábado do mês, 11h00
⛪ Missa + grupos de intercessão
📍 Igreja de São Jorge – R. Alves Torgo, 1 – 1000-032 Lisboa
💬 Traz a tua intenção. Não caminhas sozinho(a).

Vem. Confia. Deixa Maria agir.
👉 Partilha este convite com quem precisa de esperança.

Oração a Nossa Senhora Desatadora dos Nós

Virgem Maria, Mãe do belo amor,
Mãe que jamais deixa de vir em socorro a um filho aflito,
Mãe cujas mãos não param nunca de servir seus amados filhos, pois são movidas pelo amor divino e a imensa misericórdia que existem no teu coração, volta o teu olhar compassivo sobre mim e vê o emaranhado de nós que há na minha vida. Tu bem conheces o meu desespero, a minha dor e o quanto estou amarrado por causa destes nós.
Maria, Mãe que Deus encarregou de desatar os nós da vida dos seus filhos, confio hoje a fita da minha vida em tuas mãos.
Ninguém, nem mesmo o maligno poderá tirá-la do teu precioso amparo. Em tuas mãos não há nó que não poderá ser desfeito.
Mãe poderosa, por tua graça e teu poder intercessor junto a Teu Filho e Meu Libertador, Jesus, recebe hoje em tuas mãos este nó _______ [apresentar a dificuldade que se deseja vencer].
Peço-te que o desates para a glória de Deus, e por todo o sempre.
Vós sois a minha esperança. Ó Senhora minha, sois a minha única consolação dada por Deus, a fortaleza das minhas débeis forças, a riqueza das minhas misérias, a liberdade, com Cristo, das minhas cadeias.
Ouve minha súplica.
Guarda-me, guia-me, protege-me, ó seguro refúgio!
Maria, Desatadora dos Nós, roga por mim.
Ámen!


Nossa Senhora Desatadora dos Nós é uma das mais belas e consoladoras invocações marianas da Igreja. A sua imagem, profundamente simbólica, apresenta Maria com um longo fio nas mãos, pacientemente a desatar os nós enquanto os anjos a assistem. Esses nós representam as dificuldades, os pecados, os conflitos, as dores e as situações aparentemente sem saída que se acumulam na vida de cada pessoa.

Esta devoção recorda-nos, antes de mais, a ternura materna de Maria. Ela não ignora os nossos sofrimentos nem se afasta das nossas fragilidades. Pelo contrário, inclina-se sobre a nossa história concreta, marcada por escolhas difíceis, feridas antigas, relações quebradas e medos profundos. Com delicadeza e perseverança, Maria desata aquilo que nós já não conseguimos resolver sozinhos.

A imagem do fio é também um convite à confiança. Muitas vezes, perante um nó muito apertado, somos tentados a puxar com força, a agir por impulso ou a desistir. Maria ensina-nos outro caminho: o da paciência, da entrega e da oração. Ao colocarmos os nossos nós nas suas mãos, aprendemos a esperar, a escutar e a deixar Deus agir no Seu tempo.

Nossa Senhora Desatadora dos Nós aponta sempre para Jesus. Ela não resolve os problemas por magia, mas intercede junto do Filho, conduzindo-nos a uma fé mais profunda, a uma conversão sincera e a uma esperança renovada. Cada nó desatado é um sinal do amor misericordioso de Deus que restaura, cura e reconstrói.

Esta devoção é, por isso, um verdadeiro caminho espiritual. Aproxima-nos de Maria como Mãe, fortalece a nossa confiança em Deus e recorda-nos que nenhum problema é demasiado complicado quando é colocado com humildade e fé nas mãos do Céu. Confiar os nossos nós a Maria é acreditar que, mesmo nas situações mais difíceis, Deus continua a escrever uma história de salvação.

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O seu nome será Emanuel, Deus-connosco.

Chamamo-nos Comunidade (do) Emanuel.
E isso não é um acaso bonito para encaixar num logótipo.

É uma escolha exigente.
Um nome que nos compromete.

Antes de sermos “Comunidade Emanuel”, fomos Communauté de l’Emmanuel.
E em França dizem-no ainda com mais simplicidade: “l’Emmanuel”.

Quase como quem fala de alguém próximo.
Não um conceito.
Não uma ideia teológica.
Mas uma presença.

E talvez aí esteja tudo.
Porque Emanuel não é um título bonito para Jesus.
É uma maneira de Deus existir.
É Deus que decide não ficar de fora.
Que não observa à distância.
Que não se limita a enviar instruções.

“A Virgem conceberá e dará à luz um filho e chamar-lhe-ão Emanuel”.
Deus-connosco.
Não Deus-apesar-de-nós.
Não Deus-quando-merecemos.
Mas Deus que entra na história tal como ela é.

E se este é o nome que trazemos…
então esta é também a nossa vocação.

Ser Comunidade Emanuel não é organizar encontros.
Não é ter carismas, missões, estatutos ou projetos.
Tudo isso pode ajudar.
Mas não é o essencial.

O essencial é isto: somos chamados a ser sinal de que Deus está connosco.
Connosco — quando rezamos e quando nos cansamos.
Connosco — quando acreditamos e quando duvidamos.
Connosco — quando falhamos uns com os outros
e mesmo assim escolhemos permanecer.

Em França dizem “l’Emmanuel” quase como quem diz um nome próprio.
E talvez seja esse o desafio: que quem nos encontre não veja uma “comunidade religiosa”, mas reconheça uma presença.

Não pessoas perfeitas,
mas pessoas habitadas.
Não gente que tem todas as respostas,
mas gente que caminha com os outros.

Porque Emanuel nasce no silêncio,
num sonho de José,
num “sim” dito sem garantias.

E continua a nascer hoje
quando uma comunidade escolhe estar com, e não acima, nem ao lado, nem de longe.

Se nos chamamos Emanuel,
então não podemos viver como se Deus estivesse ausente.
Nem como se os outros fossem um problema.

Chamamo-nos Emanuel porque acreditamos que Deus ainda escolhe ficar.
E que quer fazê-lo… através de nós.

A pergunta não é se somos dignos desse nome.
Nunca fomos.
A pergunta é outra:
estamos dispostos a vivê-lo?

Um santo e paciente Advento.
Marta e Paulo Farinha Silva

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Lectio Divina de Advento 2025

O Advento é, por essência, um tempo de passagem: do ruído à escuta, da pressa à vigilância, da expectativa ao nascimento. Em 2025, esse movimento interior ganhou uma expressão acessível a todos os que procuram preparar o coração para o Natal: um percurso digital, inspirado no método da Lectio Divina, disponibilizado no YouTube. Mais do que conteúdos soltos, a proposta constitui um verdadeiro itinerário espiritual que acompanha os quatro domingos do Advento, convidando quem vê a entrar numa leitura orante da Palavra de Deus e a fazer dela um ponto de encontro, silêncio e ação.

Este percurso está alicerçado na tradição da Lectio Divina, um método de leitura espiritual da Escritura que atravessou os séculos, desde os monges do deserto até às comunidades cristãs de hoje. Embora simples na forma, envolve profundidade na vivência. Não se trata de um estudo bíblico académico, mas de uma leitura orante, dialogante e transformadora. Cada domingo propõe uma sequência clara de etapas: Lectio (Leitura), Meditatio (Meditação), Oratio (Oração), Contemplatio (Contemplação) e, por fim, Actio (Ação). Esta última etapa lembra que o Advento, além de contemplativo, é movimento; além de oração, é missão.

O início de cada vídeo coloca o espectador no terreno da vida real. Jovens aparecem em conversa informal, sentados num sofá, com chávenas de bebida quente, e uma vela acesa sobre a mesa. As palavras fluem entre sorrisos e reflexões, partindo de um ponto comum: o mundo está sempre à espera de algo que não sabe nomear, perdido entre o cansaço, a divisão e a incerteza. Há uma simplicidade nestes diálogos que não reduz a fé; antes, reencanta-a. Porque Jesus nasceu numa casa, no meio da noite, numa família concreta. E é ali, no quotidiano, que o percurso nos convida a regressar.

A etapa da Lectio começa sempre pela Palavra. No 1.º domingo do Advento, a primeira leitura é do profeta Isaías (Is 2,1-5). A escolha não é acidental: Isaías é o profeta que faz ouvir a esperança quando tudo parece ameaçado. A leitura fala da montanha do templo do Senhor, para onde afluem todas as nações, numa convocação comunitária: “Vinde, subamos à montanha do Senhor.” É um convite plural: o Advento não se caminha sozinho. Jerusalém simboliza o centro interior onde a paz precisa de nascer antes de ser semeada fora. E a profecia desenha uma imagem poderosa: as espadas transformadas em relhas de arado e as lanças convertidas em foices. O anúncio do Natal começa com o desarmamento do coração: largar as armas interiores da agressividade, da dureza, da indiferença, para que a vida se torne campo fértil.

O 1.º salmo do percurso (Sl 121/122) dá voz à alegria do recomeço: “Que alegria, quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!” A proposta de Advento reinterpreta a peregrinação do povo de Israel a Jerusalém como um regresso interior: ao lugar onde Deus é centro, harmonia e lar. Não fala apenas de ir à igreja; fala de re-habitar o coração e fazer silêncio suficiente para encontrar uma casa para Deus dentro de nós.

O 2.º domingo continua com Isaías (Is 11,1-10). Aqui surge outra imagem ímpar, que atravessa todo o Advento: o “rebento do tronco de Jessé”. Um ramo verde que brota de um tronco seco. Em vez de oferecer sinais grandiosos, Deus promete um nascimento humilde, uma vida nova lenta, quase invisível, mas que cresce. Tal como no Advento acendemos uma nova vela a cada domingo, também a esperança cresce como um rebento que não pede pressa, mas paciência.

A 2.ª leitura de São Paulo aos Romanos (Rm 15,4-9) introduz uma marca decisiva do itinerário: a inclusão. “Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu.” Acolher não é um gesto sentimental; é um movimento que cria espaço, que abre lugar à diferença, que une o que estava distante. Judeus e gentios, na época, eram mundos inconciliáveis. Acolhê-los juntos é preparar uma mesa onde caibam histórias, línguas, fragilidades e esperanças. O Natal começa quando criamos espaço para que ele aconteça no meio de nós.

O Evangelho do 2.º domingo (Mt 3,1-12) traz a voz radical de João Batista: “Convertei-vos, porque está perto o Reino dos Céus.” O percurso digital Lectio Divina de Advento de 2025 dá espessura a este grito: conversão não é remorso, é alinhamento. Endireitar caminhos dentro de nós, ardendo o que é palha, guardando o que é trigo. É uma purificação que não endurece, liberta.

O 3.º domingo escutamos novamente Isaías (Is 35,1-6.10). Se no 2.º domingo víamos um rebento nascer de um tronco seco, agora vemos florescer um deserto inteiro. O povo estava em exílio; carregava dentro um deserto de desilusão e dúvida. A profecia devolve ânimo ao coração abatido: “Deus vem para vos salvar. Fortalecei mãos cansadas.” A imagem dos coxos que saltam e dos mudos que cantam não exige literalismos: é um símbolo total. Recuperar a visão, a escuta, a voz, a força e o salto interior que tinham sido adormecidos pela noite do medo.

O Salmo 145/146 prolonga o retrato de Deus: Ele não falha na justiça, liberta os cativos, dá pão aos famintos e protege o estrangeiro. Um Deus próximo, que intervém no concreto da condição humana e não apenas no extraordinário.

O 4.º domingo do percurso traz novamente um texto curtíssimo e enorme: Isaías 7,10-14. Acaz não pediu sinal, mas Deus oferece um filho: “Emanuel” – Deus connosco. Se o mundo estava ameaçado, nasce a promessa de uma presença; um Deus que se envolve na história, que entra na carne humana, na vida partilhada, enquanto ainda cheirávamos a tronco cortado e coração pesado.

O Salmo 23/24 estás construído como uma liturgia de portas enormes que se abrem: “Levantai, ó portas, os vossos dintéis!” Quem pode entrar? Quem tem mãos inocentes e coração coerente. O critério não é a impecabilidade moral, é a verdade do coração. Deus não arromba a vida; entra quando criamos espaço para isso acontecer. A fé torna-se porta aberta, não ameaça percebida.

Depois da Lectio, o espectador é conduzido à Meditatio: um momento apenas de voz, que pergunta: “O que a Palavra me diz a mim?” Esta etapa desacelera. Não é comentário, é interiorização. A segunda etapa, Oratio, devolve a palavra ao orante: “O que eu digo a Deus?” Agora que a Palavra falou, cabe-nos responder. Não sobre Deus; para Deus. É uma oração que não nasce da necessidade de resolver tudo, mas da confiança de que Deus já começou a trabalhar.

A fase central, Contemplatio, aparece como texto rolante, sem voz humana, apenas silêncio musical e leitura lenta. É o momento onde “deixo Deus fazer.” Aqui não há performance: há pausa. Um Deus que não falha no encontro quando nos encontra dispostos a devolver-Lhe o nosso tempo mais frágil — o silêncio.

E por fim vem a Actio — a missão como consequência: “O que faço a partir daqui?” Porque a Palavra não deseja ser apenas escutada; deseja-nos transformados no real. Advento é também tempo de agricultor que prepara a terra, sentinela que guarda a noite, porta que se abre e rebento que cresce.

O valor mais profundo deste percurso digital está precisamente no que ele não faz: não acelera, não compete, não busca sinais grandiosos; não exige perfeição moral imediata. Faz o contrário: educa o olhar para a lentidão do nascimento, para a semente, para o outro, para o centro interior do templo e da cidade futura que Deus prepara por dentro. E encerra como começou, nas velas acendidas no quotidiano: um pequeno fogo de presença que se torna progressivamente luz.

A Lectio Divina de Advento 2025 no YouTube é mais do que um conjunto de vídeos. É um roteiro espiritual comunitário, com capacidade de iniciar perguntas, abrir silêncios, fortalecer esperanças e gerar decisões. Porque o Natal vem aí. E o coração prepara-se assim: caminhando, silenciando, acolhendo, vigilando. Até nascer Cristo dentro de nós. Amén.