O início da Quaresma recorda-nos uma verdade simples e desarmante: somos frágeis e finitos. “És pó e ao pó hás de voltar.” Estas palavras não pretendem assustar, mas recentrar o coração. Num mundo que valoriza a força, a eficiência e a imagem, Deus começa por nos conduzir ao essencial: aquilo que somos, sem máscaras nem ilusões.
Mas a fé cristã não fica na cinza. A Quaresma não é um caminho fechado sobre a morte, mas uma travessia aberta à esperança. É precisamente no reconhecimento do nosso limite que se abre o espaço para a ação de Deus. O pó não é o fim; é o lugar onde o Criador volta a inclinar-Se sobre a sua criatura.
O Coração de Jesus é um coração manso e humilde, que não rejeita a nossa pobreza, mas a acolhe. Um coração que continua a amar, mesmo quando tudo em nós parece seco, gasto ou ferido. Do Coração trespassado de Cristo brota uma promessa: a vida nova é possível.
A Quaresma convida-nos a regressar a este coração. A deixar-nos amar, curar e refazer. Do pó à vida, da cinza à ressurreição, Deus não se cansa de nos chamar. E ainda vamos a tempo de responder.
