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Mensagem do Papa Francisco para a 37ª JMJ Lisboa 2023

Foi divulgada hoje, pelo Vaticano, a mensagem que o Papa escreveu aos jovens por ocasião das JMJ que terão lugar no nosso país em agosto de 2023.

A minha mensagem para vós #jovens, a grande mensagem de que é portadora a Igreja é Jesus! Sim, Ele mesmo, o seu amor infinito por cada um de nós, a sua salvação e a vida nova que nos deu. #JMJ #Lisboa2023

«Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lc 1, 39)

Queridos jovens!

O tema da JMJ do Panamá era este: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Depois daquele evento, retomamos o caminho para uma nova meta – Lisboa 2023 –, deixando ecoar nos nossos corações o premente convite de Deus a levantar-nos. Em 2020, meditamos nesta palavra de Jesus: «Jovem, Eu te digo, levanta-te!» (cf. Lc 7, 14). No ano passado, serviu-nos de inspiração a figura do apóstolo São Paulo, a quem o Senhor ressuscitado dissera: «Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste» (cf. At 26, 16). No troço de estrada que ainda nos falta para chegar a Lisboa, caminharemos juntos com a Virgem de Nazaré, que, imediatamente depois da Anunciação, «levantou-se e partiu apressadamente” (Lc 1, 39) para ir ajudar a prima Isabel. Comum aos três temas é o verbo levantar-se, palavra (é bom lembrá-lo!) que significa também «ressuscitar», «despertar para a vida».

Nestes últimos tempos tão difíceis, em que a humanidade já provada pelo trauma da pandemia, é dilacerada pelo drama da guerra, Maria reabre para todos e em particular para vós, jovens como Ela, o caminho da proximidade e do encontro. Espero e creio fortemente que a experiência que muitos de vós ireis viver em Lisboa, no mês de agosto do próximo ano, representará um novo começo para vós jovens e, convosco, para toda a humanidade.

Maria levantou-se

Depois da Anunciação, Maria teria podido concentrar-se em si mesma, nas preocupações e temores derivados da sua nova condição; mas não! Entrega-se totalmente a Deus! Pensa, antes, em Isabel. Levanta-se e sai para a luz do sol, onde há vida e movimento. Apesar do inquietante anúncio do Anjo ter provocado um «terremoto» nos seus planos, a jovem não se deixa paralisar, porque dentro d’Ela está Jesus, poder de ressurreição. Dentro d’Ela, traz já o Cordeiro Imolado mas sempre vivo. Levanta-se e põe-se em movimento, porque tem a certeza de que os planos de Deus são o melhor projeto possível para a sua vida. Maria torna-se templo de Deus, imagem da Igreja em caminho, a Igreja que sai e se coloca ao serviço, a Igreja portadora da Boa Nova.

Experimentar na própria vida a presença de Cristo ressuscitado, encontrá-Lo «vivo», é a maior alegria espiritual, uma explosão de luz que não pode deixar ninguém «parado». Imediatamente põe em movimento impelindo a levar aos outros esta notícia, a testemunhar a alegria deste encontro. É aquilo que anima a pressa dos primeiros discípulos nos dias que se seguiram à ressurreição: «Afastando-se apressadamente do sepulcro, cheias de temor e grande alegria, as mulheres correram a dar a notícia aos discípulos» (Mt 28, 8).

As narrações da ressurreição usam muitas vezes dois verbos: acordar e levantar-se. Através deles, o Senhor impele-nos a sair para a luz, a deixar-se conduzir por Ele para superar o limiar de todas as nossas portas fechadas. «É uma imagem significativa para a Igreja. Também nós, como discípulos do Senhor e como Comunidade Cristã, somos chamados a erguer-nos apressadamente para entrar no dinamismo da ressurreição e deixar-nos conduzir pelo Senhor ao longo dos caminhos que Ele nos queira indicar» (Francisco, Homilia na Solenidade de São Pedro e São Paulo, 29/VI/2022).

A Mãe do Senhor é modelo dos jovens em movimento, jovens que não ficam imóveis diante do espelho em contemplação da própria imagem, nem «alheados» nas redes. Ela está completamente projetada para o exterior. É a mulher pascal, num estado permanente de êxodo, de saída de si mesma para o Outro, com letra grande, que é Deus e para os outros, os irmãos e as irmãs, sobretudo os necessitados, como estava então a prima Isabel.

…e partiu apressadamente

Santo Ambrósio de Milão escreve, no seu comentário ao Evangelho de Lucas, que Maria partiu apressadamente para a montanha, «porque estava feliz com a promessa e desejosa de prestar devotadamente um serviço, com o entusiasmo que lhe vinha da alegria interior. Agora, cheia de Deus, para onde poderia apressar-se se não em direção ao alto? A graça do Espírito Santo não admite morosidades». Por isso a pressa de Maria é ditada pela solicitude do serviço, do anúncio jubiloso, duma pronta resposta à graça do Espírito Santo.

Maria deixou-se interpelar pela necessidade da sua prima idosa. Não se escusou, não ficou indiferente. Pensou mais nos outros do que em si mesma. E isto conferiu dinamismo e entusiasmo à sua vida. Cada um de vós pode perguntar-se: Como reajo perante as necessidades que vejo ao meu redor? Busco imediatamente uma justificação para não me comprometer, ou interesso-me e torno-me disponível? É certo que não podeis resolver todos os problemas do mundo; mas talvez possais começar por aqueles de quem está mais próximo de vós, pelas questões do vosso território. Uma vez disseram a Madre Teresa que «quanto ela fazia não passava duma gota no oceano». E ela respondeu: «Mas, se não o fizesse, o oceano teria uma gota a menos».

Perante uma necessidade concreta e urgente, é preciso agir apressadamente. No mundo, quantas pessoas esperam uma visita de alguém que cuide delas! Quantos idosos, doentes, presos, refugiados precisam do nosso olhar compassivo, da nossa visita, de um irmão ou uma irmã que ultrapasse as barreiras da indiferença!

Quais são as «pressas» que vos movem, queridos jovens? O que é que vos faz sentir de tal maneira a premência de vos moverdes que não conseguis ficar parados? Há muitos que, impressionados por realidades como a pandemia, a guerra, a migração forçada, a pobreza, a violência, as calamidades climáticas, se interrogam: Porque é que me acontece isto? Porquê precisamente a mim? Porquê agora? Mas a pergunta central da nossa existência é esta: Para quem sou eu? (cf. Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit, 286).

A pressa da jovem mulher de Nazaré é a pressa típica daqueles que receberam dons extraordinários do Senhor e não podem deixar de partilhar, de fazer transbordar a graça imensa que experimentaram. É a pressa de quem sabe colocar as necessidades do outro acima das próprias. Maria é exemplo de jovem que não perde tempo a mendigar a atenção ou a aprovação dos outros – como acontece quando dependemos daquele «gosto» nas redes sociais –, mas move-se para procurar a conexão mais genuína, aquela que provem do encontro, da partilha, do amor e do serviço.

A partir da Anunciação, desde aquela primeira vez quando partiu para ir visitar a sua prima, Maria não cessa de atravessar espaços e tempos para visitar os filhos carecidos da sua ajuda carinhosa. Os nossos passos, se habitados por Deus, levam-nos diretamente ao coração de cada um dos nossos irmãos e irmãs. Quantos testemunhos nos chegam de pessoas «visitadas» por Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe. Em quantos lugares remotos da terra, ao longo dos séculos, Maria visitou o seu povo com aparições ou graças especiais. Praticamente não há lugar, na Terra, que não tenha sido visitado por Ela. Movida por uma solícita ternura, a Mãe de Deus caminha no meio do seu povo e cuida das suas angústias e vicissitudes. E onde quer que haja um santuário, uma igreja, uma capela a Ela dedicada, lá acorrem numerosos os seus filhos. Quantas expressões de piedade popular! As peregrinações, as festas, as súplicas, o acolhimento das imagens nas casas e muitas outras iniciativas são exemplos concretos da relação viva entre a Mãe do Senhor e o seu povo, que se visitam reciprocamente.

Uma pressa boa impele-nos sempre para o alto e para o outro

Uma pressa boa impele-nos sempre para alto e para o outro. Mas há também uma pressa não boa, como, por exemplo, a pressa que nos leva a viver superficialmente, tomar tudo levianamente sem empenho nem atenção, sem nos envolvermos verdadeiramente no que fazemos; a pressa de quando vivemos, estudamos, trabalhamos, convivemos com os outros sem colocarmos nisso a cabeça e menos ainda o coração. Pode acontecer nas relações interpessoais: na família, quando nunca ouvimos verdadeiramente os outros nem lhes dedicamos tempo; nas amizades, quando esperamos que um amigo nos faça divertir e dê resposta às nossas exigências, mas, se virmos que ele está em crise e precisa de nós, imediatamente o evitamos e procuramos outro; e mesmo nas relações afetivas, entre noivos, poucos têm a paciência de se conhecerem e compreenderem a fundo. E, a mesma atitude, podemos tê-la na escola, no trabalho e noutras áreas da vida quotidiana. Ora, todas estas coisas vividas com pressa dificilmente darão fruto; há o risco de permanecerem estéreis. Assim se lê no livro dos Provérbios: «Os projetos do homem diligente têm êxito, mas quem se precipita [a pressa má] cai certamente na ruína» (21, 5).

Quando Maria, finalmente, chega à casa de Zacarias e Isabel, sucede um encontro maravilhoso. Isabel experimentou em si mesma uma intervenção prodigiosa de Deus, que lhe deu um filho na velhice. Teria todas as razões para falar, primeiro, de si mesma; mas não o fez, toda propensa a acolher a jovem prima e o fruto do seu ventre. Logo que ouve a sua saudação, Isabel fica cheia do Espírito Santo. Acontecem estas surpresas e irrupções do Espírito quando vivemos uma verdadeira hospitalidade, quando colocamos no centro o hóspede, e não a nós próprios. Vemos isto mesmo também na história de Zaqueu, que lemos em Lucas: «Quando chegou àquele local [onde estava Zaqueu], Jesus levantou os olhos e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa”. Ele desceu imediatamente e acolheu Jesus cheio de alegria» (19, 5-6).

Já aconteceu a muitos de nós sentir que, inesperadamente, Jesus vem ao nosso encontro: n’Ele, pela primeira vez, experimentamos uma proximidade, um respeito, uma ausência de preconceitos e condenações, um olhar de misericórdia que nunca tínhamos encontrado nos outros. Mais, sentimos também que, a Jesus, não Lhe bastava olhar-nos de longe, mas queria estar connosco, queria partilhar a sua vida connosco. A alegria desta experiência suscitou em nós a pressa de O acolher, a urgência de estar com Ele e conhecê-Lo melhor. Isabel e Zacarias hospedaram Maria e Jesus. Aprendamos daqueles dois anciãos o significado da hospitalidade. Perguntai aos vossos pais e aos vossos avós, bem como aos membros mais idosos das vossas comunidades, que significa para eles serem hospitaleiros para com Deus e com os outros. Fazer-vos-á bem escutar a experiência de quem vos precedeu.

Queridos jovens, é tempo de voltar a partir apressadamente para encontros concretos, para um real acolhimento de quem é diferente de nós, como acontece entre a jovem Maria e a idosa Isabel. Só assim superaremos as distâncias entre gerações, entre classes sociais, entre etnias, entre grupos e categorias de todo o género, e superaremos também as guerras. Os jovens são sempre a esperança duma nova unidade para a humanidade fragmentada e dividida. Mas somente se tiverem memória, apenas se escutarem os dramas e os sonhos dos idosos. «Não é por acaso que a guerra tenha voltado à Europa no momento em que está a desaparecer a geração que a viveu no século passado» (Francisco, Mensagem para o II Dia Mundial dos Avós e do Idosos). Há necessidade da aliança entre jovens e idosos, para não esquecer as lições da história, para superar as polarizações e os extremismos deste tempo.

Ao escrever aos Efésios, São Paulo anunciou: «Em Cristo Jesus, vós, que outrora estáveis longe, agora estais perto, pelo Sangue de Cristo. Com efeito, Ele é a nossa paz, Ele que, dos dois povos, fez um só e destruiu o muro de separação, a inimizade, na sua carne» (2, 13-14). Jesus é a resposta de Deus face aos desafios da humanidade em todos os tempos. E esta resposta, Maria leva-a dentro de si quando vai ao encontro de Isabel. A maior prenda que Maria oferece à sua parente idosa é levar-lhe Jesus: certamente também a ajuda concreta foi muito preciosa; mas nada teria podido encher a casa de Zacarias com uma alegria tão grande e um significado assim pleno como o fez a presença de Jesus no ventre da Virgem, que se tornara o tabernáculo do Deus vivo. Naquela região montanhosa, Jesus, com a mera presença, sem dizer uma palavra, pronuncia o seu primeiro «discurso da montanha»: proclama em silêncio a bem-aventurança dos pequeninos e dos humildes que se entregam à misericórdia de Deus.

A minha mensagem para vós jovens, a grande mensagem de que é portadora a Igreja é Jesus! Sim, Ele mesmo, o seu amor infinito por cada um de nós, a sua salvação e a vida nova que nos deu. E Maria é o modelo de como acolher este imenso dom na nossa vida e comunicá-lo aos outros, fazendo-nos por nossa vez portadores de Cristo, portadores do seu amor compassivo, do seu serviço generoso, à humanidade sofredora.

Todos juntos em Lisboa!

Maria era uma jovem como muitos de vós. Era uma de nós. Assim escrevia acerca dela o bispo D. Tonino Bello: «Santa Maria, (…) bem sabemos que foste destinada a navegar no alto mar. Mas, se te constrangemos a navegar junto da costa, não é porque queremos reduzir-te aos níveis da nossa pequena navegação costeira. É porque, vendo-te tão perto das praias do nosso desânimo, possa apoderar-se de nós a consciência de sermos chamados, também nós, a aventurar-nos, como Tu, nos oceanos da liberdade» (Maria, mulher dos nossos dias, Cinisello/Balsamo 2012, 12-13).

Como recordei na primeira Mensagem desta trilogia, nos séculos XV e XVI, muitos jovens (incluindo tantos missionários) partiram de Portugal rumo a mundos desconhecidos, inclusive para partilhar a sua experiência de Jesus com outros povos e nações (cf. Francisco, Mensagem JMJ 2020). E a esta terra, no início do século XX, Maria quis fazer uma visita especial, quando de Fátima lançou a todas as gerações a mensagem forte e maravilhosa do amor de Deus que chama à conversão, à verdadeira liberdade. A cada um e cada uma de vós renovo o meu caloroso convite a participar na grande peregrinação intercontinental dos jovens que culminará na JMJ de Lisboa em agosto do próximo ano; e recordo-vos que, no próximo 20 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, celebraremos a Jornada Mundial da Juventude nas Igrejas particulares espalhadas pelo mundo inteiro. A propósito, o recente documento do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida – Orientações pastorais para a celebração da JMJ nas Igrejas particulares– pode ser de grande ajuda para todas as pessoas que trabalham na pastoral juvenil.

Sonho, queridos jovens, que na JMJ possais experimentar novamente a alegria do encontro com Deus e com os irmãos e as irmãs. Depois dum prolongado período de distanciamento e separação, em Lisboa – com a ajuda de Deus – reencontraremos juntos a alegria do abraço fraterno entre os povos e entre as gerações, o abraço da reconciliação e da paz, o abraço duma nova fraternidade missionária! Que o Espírito Santo acenda nos vossos corações o desejo de vos levantardes e a alegria de caminhardes todos juntos, em estilo sinodal, abandonando falsas fronteiras. O tempo de nos levantarmos é agora. Levantemo-nos apressadamente! E, como Maria, levemos Jesus dentro de nós, para O comunicar a todos. Neste belíssimo momento da vossa vida, avançai, não adieis o que o Espírito pode realizar em vós! De coração abençoo os vossos sonhos e os vossos passos.

Roma, São João de Latrão, na Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria,15 de agosto de 2022.

Francisco

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A vida que acolhemos – Semana da Vida 2022

Este ano, a Semana da Vida que decorre de 08 a 15 de maio tem como tema “A Vida que acolhemos”, tendo como inspiração “a parábola do Bom Samaritano”.

Esta iniciativa, promovida pela Comissão Episcopal Laicado e Família e pelo Departamento Nacional da Pastoral Familiar, pretende focar três temas: “O aborto, uma realidade oculta dos noticiários e que se estima represente cerca de 15.000 abortos por ano”; “A eutanásia, tema central face à atual realidade política nacional” e a “guerra na Europa, com todas as mortes e refugiados que provoca, este tema sim, em todos os noticiários diários”.

O tema central «A Vida que acolhemos» é inspirado na parábola do Bom Samaritano como “personagem de acolhimento e, em simultâneo estrangeiro, o que não deixa de ser um pouco desconcertante: é o estrangeiro que é o protagonista do acolhimento e não o inverso”.

A temática deste ano alinha-se com o tema do ano passado «A Vida que nos toca, A vida que sempre cuidamos» “num percurso” que os promotores pretendem “prolongar para o próximo ano”.

Cada dia tem o seu tema específico “Os que ainda não nasceram”, “Adoção”, “Os refugiados”, “O que é diferente”, “O que sofre”, “O que cuida” e “Família, lugar de acolhimento”

Semana da Vida 2022 começa com uma celebração mariana e encerra com uma eucaristia.

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Jovens – Viver o Pentecostes

A equipa do Emanuel Jovens propõe um fim de semana de pentecostes em Fátima, já nos próximos dias 4 e 5 de junho.

Mais informações deverão em breve estar disponíveis no Insta da Emanuel Jovens, em @emanueljovens_pt https://www.instagram.com/emanueljovens_pt/

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aDeus, Steven Labat

Os caminhos do Senhor são assim mesmo: insondáveis, por vezes até mesmo incompreensíveis – sem a fé, claro.

O Pe Steven Labat, de 32 anos, era padre da Comunidade Emanuel há apenas um ano – egípcio, do Cairo, tinha sido ordenado pela diocese de Paris.

No passado sábado, foi encontrado morto no monte Sinai – na passada quinta-feira terá, com amigos, começado a escalar o monte para de lá contemplar o pôr e o nascer do sol… segundo a polícia local, não terá cometido nenhuma imprudência – terá tido um ataque cardíaco e caiu… foi um acidente, uma queda, neste caso mortal.

Oriundo de uma família abastada, tinha estudado direito e pensava seguir uma carreira artística, como alguns membros da sua família; aos 19 anos, sentiu o apelo do Senhor a “tornar-se pescador de homens”, e disse sim.

Fez grande parte do seu percurso de seminarista na Bélgica, onde a Comunidade Emanuel tem uma de várias casas de formação de seminaristas, e, aos 31 anos, foi ordenado padre. Desde então que estava no Cairo, na paróquia de Caint-Cyrille onde, para além dos trabalhos próprios da paróquia e da Comunidade Emanuel, trabalhava muito com jovens e no acompanhamento dos presos na prisão local.

No Cairo, os irmãos da Comunidade Emanuel estão devastados – era o primeiro padre da comunidade no Egipto, e uma grande esperança, depois de 20 anos de implantação no país. Os sonhos e os projectos de futuro, multiplicavam-se. Aos olhos do mundo, é um autêntico desastre, mas Deus sabe o que faz – declarou o responsável dos padres para a Europa e Médio-Oriente.

Partilhamos convosco um vídeo que ele gravou e produziu com um cântico do Emanuel, “Mais perto de ti, Senhor”: https://www.youtube.com/watch?v=ecMRNQofIrA

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Fórum 2022 – Na força do Espírito

Este ano, este evento anual proposto pela Comunidade Emanuel foi em Coimbra,
no Salão Paroquial da igreja de São José.
O tema – “Na força do Espírito” – foi desenvolvido por um irmão belga da comunidade, o Jean-Luc Moens, que até há poucos meses era também o Moderador Internacional da Charis.

Tem dúvidas que prefira esclarecer de viva voz? A Marina Santos está disponível para ajudar e esclarecer todas as dúvidas: 916521734

Programa:

Sábado

09h30 – Acolhimento
10h00 – Louvor
10h30 – 1º Tema (“Quem é o Espírito Santo”)
11h40 – Intervalo
12h00 – Eucaristia (pres. D. Virgílio)
13h00 – Almoço
14h45 – Apresentação dos ateliers
15h00 – 1º atelier – “Como é que o Espírito Santo conduziu a Igreja desde o Concílio Vaticano II” (D. Virgílio)
16h00 – 2º atelier – “Viver do Espírito Santo no quotidiano” (irmã Goreti)
17h00 – Intervalo
17h30 – 2º Tema – “A promessa do Espírito Santo no Pentecostes”
18h30 – Adoração
19h30 – Jantar
21h00 – Início do serão
22h30 – Fim do serão

Transmissão online (sábado): https://youtu.be/x6lD3wo9rn0

Domingo

09h30 – Louvor
10h00 – Breve apresentação das propostas da Comunidade Emanuel (missões várias)
10h30 – 3º Tema – “Viver com o Espírito Santo”
11h45 – Intervalo
12h15 – Eucaristia

Transmissão online (Domingo) : https://youtu.be/cEOPnZNx41M

Alojamento e refeições:

Refeições

O salão no qual irá decorrer este fórum está muito próximo de uma grande Centro Comercial, o Alma Shopping, com uma enorme área de restauração (piso 3 e 4) com comida para todos os gostos e bolsos (no piso 0, o Jumbo permite que se coma na zona da pastelaria por pouco mais de 1€ – sopa, sandes, panados…).

Na rua adjacente ao Salão, a rua do Brasil, na zona do Calhabé, há muitas churrasqueiras e outros restaurantes, mais uma vez para todos os tipos de bolsos.

Alojamento

Cada qual deverá alojar-se pelos seus próprios meios, o que não será nada difícil tendo em conta que há em Coimbra muitos hotéis e residenciais.

Sugerimos que faça uma pesquisa rápida no Booking.com ou no Airbnb.pt . Uma irmã nossa, a Marina, está disponível para ajudar quem tenha dificuldade em fazer sozinho(a) esta reserva: poderá contactá-la pelo 916521734 .

Além de três conferências principais, teremos uma intervenção do Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, que nos virá falar da ação do Espírito na Igreja do pós-Concílio, um tema prático sobre o discernimento à luz do Espírito Santo. Como habitualmente, haverá tempos de oração e louvor, adoração e eucaristia.

INSCRIÇÃO A ENVIAR POR FORMULÁRIO:

Participação pedida no local de 5€/adulto para suporte das despesas com a organização. 
Caso queira fazer um donativo para a Comunidade Emanuel,
IBAN: PT50 0035 0671 000 14469830 02 (indicar “Donativo CE [seu nome]“)
Para recibo, enviar email com Nome, NIF e comprovativo de transferência para: [email protected]

Encontro de adolescentes – Emanuel Teens

Paralelamente ao Fórum, haverá um encontro da Emanuel Teens – o ramo que na Comunidade Emanuel se ocupa da pastoral com os adolescentes.

Uma questão ? Precisa de ajuda ?

Telefone: 239 838 481
E-mail: [email protected]

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Fórum 2022 – Na força do Espírito – emissão online de sábado

Programa completo em https://www.comunidade-emanuel.pt/forum/

Este ano, este evento anual proposto pela Comunidade Emanuel será em Coimbra, no Salão Paroquial da igreja de São José. Claro que poderá acompanhar todas as atividades online, aqui, a partir do YouTube – no entanto, teríamos imenso gosto que pudesse estar presencialmente conosco, no Salão de São José, em Coimbra.

O tema – “Na força do Espírito” – será desenvolvido por um irmão belga da comunidade, o Jean-Luc Moens, que até há poucos meses era também o Moderador Internacional da Charis. Contaremos ainda com a presença do bispo de Coimbra, D. Virgílio, que nos virá dar uma perspetiva de “Como é que o Espírito Santo conduziu a Igreja desde o Concílio Vaticano II”, e da Ir. Goreti, uma doroteia, que nos dará pistas concretas de como “Viver do Espírito Santo no quotidiano”.

Transmissão no sábado: https://youtu.be/x6lD3wo9rn0
Transmissão de Domingo: https://youtu.be/cEOPnZNx41M

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Partiu Hervé Marie Catta

Comunicamos a todos os nossos amigos que o n osso irmão Hervé Marie Catta entrou na luz de Deus na passada sexta-feira santa, 15 de abril de 2022.

Marido de Martine Catta e pai de 3 filhos, Hervé Marie dedicou a sua vida à evangelização, mesmo quando limitado ao seu quarto de hospital.

Veio várias vezes a Portugal, ao longo dos últimos 30 anos: falou em várias Assembleias do RCCP e deu frequentemente formação comunitária nos nossos encontros mensais.

Damos graças a Deus pela vida de Hervé Maria!

O funeral terá lugar na quinta-feira, 21 de abril, em Locarn (Côtes d’Armor), seguido de uma eucaristia às 14h30.

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Domingo de ramos

Deus todo-poderoso e eterno, que, para salvar a humanidade, quisestes que o nosso Salvador Se fizesse homem e suportasse a cruz, fazei que vivamos unidos a Ele na sua paixão para chegarmos a tomar parte na glória da sua ressurreição. Ele que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo

São Lucas é evangelista especialmente culto, pois que, segundo a tradição, era médico, e muito atento a circunstâncias mais significativas da sensibilidade dos participantes da Paixão do Senhor, como na referência às mulheres que desde a Galileia O tinham acompanhado e Lhe saíram ao encontro no caminho do Calvário e O seguiram até à hora da sua morte; é ele o único que refere o suor de sangue na agonia de Jesus, como também a oração do bom ladrão na cruz e o perdão que em resposta o Senhor lhe oferece. Ele é, de facto, o evangelista da misericórdia de Jesus.

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5º Domingo da Quaresma

Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de viver com alegria o mesmo espírito de caridade que levou o vosso Filho a entregar-Se à morte pela salvação dos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

«Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra»

A novidade que Deus oferece ao mundo em Jesus Cristo não aparece à custa da destruição do que anteriormente existiu. A graça não vem à custa da morte do pecador. É a partir da história dos homens pecadores que Deus vai fazer surgir a história da salvação, que os há-de renovar. É na mulher pecadora que Jesus faz brilhar a luz nova da sua graça. Envelhecida pelo pecado, torna-se, pelo poder do Senhor, nova criatura.

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A COMUNHÃO COM O CORPO E O SANGUE DE CRISTO – 3ª Pregação da Quaresma 2022

“Refletir sobre a Eucaristia é como ver escancarar-se diante de nós, à medida que avançamos, horizontes sempre mais vastos que se abrem um sobre o outro, a perder de vista. O horizonte cristológico da comunhão que contemplamos até aqui se abre, de fato, sobre um horizonte trinitário. Em outras palavras, por meio da comunhão com Cristo, nós entramos em comunhão com toda a Trindade.”

Fr. Raniero Cantalamessa, OFMCap. – Terceira Pregação, Quaresma de 2022

III Pregação da Quaresma do cardeal Cantalamessa

Em nossa catequese mistagógica sobre a Eucaristia ‒ após a Liturgia da Palavra e a Consagração ‒, chegamos ao terceiro momento, o da comunhão. Este é o momento da Missa que mais claramente expressa a unidade e a igualdade fundamental de todos os membros do povo de Deus, abaixo de qualquer distinção de posição e ministério. Até então, a distinção dos ministérios é visível: na liturgia da Palavra, a distinção entre a Igreja que ensina e a Igreja que aprende; na consagração, a distinção entre o sacerdócio ministerial e o sacerdócio universal. Na comunhão não há distinção. A comunhão recebida pelo simples batizado é idêntica à recebida pelo sacerdote ou pelo bispo. A comunhão eucarística é a proclamação sacramental de que a koinonia vem em primeiro lugar na Igreja e é mais importante que a hierarquia.

Reflitamos sobre a comunhão eucarística a partir de um texto de São Paulo:

O cálice da bênção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão (1Cor 10,16-17).

A palavra “corpo” recorre duas vezes nos dois versículos, mas com um significado diverso. No primeiro caso (“o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo?”), indica o corpo real de Cristo, nascido de Maria, morto e ressuscitado; no segundo (“somos um só corpo”), indica o corpo místico, a Igreja. Não se podia dizer de maneira mais sucinta e mais clara que a comunhão eucarística é sempre comunhão com Deus e comunhão com os irmãos; que nela há uma dimensão, por assim dizer, vertical uma dimensão horizontal. Partamos da primeira.

A Eucaristia comunhão com Cristo

Busquemos aprofundar qual gênero de comunhão se estabelece entre nós e Cristo na Eucaristia. Em João 6,57, Jesus diz: “Como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também o que comer de mim viverá por mim”. A preposição “por” (em grego, dià) tem aqui valor causal e final; indica tanto um movimento de proveniência e um movimento de destinação. Significa que quem come o corpo de Cristo vive “dele”, isto é, por causa dele, em virtude da vida que provém dele, e vive “em vista dele”, isto é, para sua glória, seu amor, seu Reino. Como Jesus vive do Pai e para o Pai, assim, comungando do santo mistério do seu corpo e do seu sangue, nós vivemos de Jesus e para Jesus.

É, de fato, o princípio vital mais forte que assimila a si o menos forte, não vice-versa. É o vegetal que assimila o mineral, não vice-versa; é o animal que assimila tanto o vegetal quanto o mineral, não vice-versa. Assim, agora, no nível espiritual, é o divino que assimila a si o humano, e não vice-versa. Enquanto que, em todos os outros casos, é aquele que come quem assimila a si o que come, aqui, aquele que é comido é quem assimila a si quem o come. A quem se aproxima para recebê-lo, Jesus repete o que dizia a Agostinho: “Não me transformarás em ti, mas te transformarás em mim”[1].

Um filósofo ateu afirmou: “O homem é o que come” (F. Feuerbach), querendo dizer que no homem não existe uma diferença qualitativa entre matéria e espírito, mas que tudo se reduz ao componente orgânico e material. Um ateu, sem saber, deu a melhor formulação de um mistério cristão. Graças à Eucaristia, o cristão é realmente o que come! Já escrevia, há muito tempo, São Leão Magno: “A nossa participação no corpo e no sangue de Cristo não tende a outra coisa senão a fazer com que nos tornemos o que comemos”[2].

Na Eucaristia, não há, portanto, apenas comunhão entre Cristo e nós, mas também assimilação, a comunhão não é apenas união de dois corpos, de duas mentes, de duas vontades, mas é assimilação ao único corpo, à única mente e vontade de Cristo. “Quem se une ao Senhor, torna-se com ele um só espírito” (1Cor 6,17).

Aquela da alimentação – do comer e do beber – não é a única analogia que temos da comunhão eucarística, ainda que insubstituível. Há algo que ela não pode expressar, como não pode a analogia da comunhão entre a videira o ramo: são comunhões entre coisas, não entre pessoas. Comungam, mas sem sabê-lo. Gostaria de insistir sobre uma outra analogia que pode nos ajudar a entender a natureza da comunhão eucarística enquanto comunhão entre pessoas que sabem e querem estar em comunhão.

A Carta aos Efésios diz que o matrimônio humano é um símbolo da união entre Cristo e a Igreja: “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Este mistério é grande – eu digo isto com referência a Cristo e à Chiesa!” (Ef 5,31-33). A Eucaristia ‒ para usar uma imagem audaz, mas verdadeira ‒ é a consumação do matrimônio entre Cristo e a Igreja, e uma vida cristã sem a Eucaristia é um matrimônio ratificado, mas não consumado. No momento da comunhão, o celebrante exclama: ” Felizes os convidados para a Ceia do Senhor.” (Beati qui ad coenam agni vocati sunt) e o Apocalipse – do qual a frase é tirada – diz ainda mais explicitamente: “Felizes os convidados para a ceia das bodas  do Cordeiro” (Ap 19,9).

Agora ‒ sempre segundo São Paulo ‒ a consequência imediata do matrimônio é que o corpo (isto é, a pessoa toda) do marido se torna da esposa, e vice-versa, o corpo da esposa se torna do marido (cf. 1Cor 7,4). Isto significa que a carne incorruptível e doadora de vida do Verbo encarnado se torna “minha”, mas também a minha carne, a minha humanidade, torna-se de Cristo, é apropriada por ele. Na Eucaristia, nós recebemos o corpo e o sangue de Cristo, mas também Cristo “recebe” o nosso corpo e o nosso sangue! Jesus, escreve Santo Hilário de Poitiers, assume a carne daquele que assume a sua[3]. Ele nos diz: “Toma, isto é o meu corpo”, mas também podemos dizer-lhe: “Toma, isto é o meu corpo”.

Busquemos entender as consequências de tudo isso. Em sua vida terrena, Jesus não fez todas as experiências humanas possíveis e imagináveis. Para começar, foi um homem, não uma mulher: não viveu a condição de metade da humanidade; não era casado, não experimentou o que significa estar unido por toda a vida a uma outra criatura, ter filhos, ou, pior, perder filhos; morreu jovem, não conheceu a velhice…

Mas agora, graças à Eucaristia, ele faz todas essas experiências. Vive na mulher a condição feminina, no enfermo, a enfermidade, no idoso, a velhice, no emigrante a precariedade, no bombardeado o terror… Não há nada em minha vida que não pertença a Cristo. Ninguém pode dizer: “Ah, Jesus não sabe o que significa ser casado, ser mulher, ter perdido um filho, estar doente, ser idoso, ser uma pessoa de cor!”. O que Cristo não pôde viver “segundo a carne”, vive e “experimenta” agora como ressuscitado “segundo o Espírito”, graças à comunhão esponsal da Missa. Tinha compreendido o motivo profundo disso Santa Isabel da Trindade, quando escrevia para sua mãe: “A esposa pertence ao esposo. O meu (Esposo) me tomou. Quer que eu seja para ele um acréscimo de humanidade”[4].

Que inesgotável motivo de estupor e consolação, pensar que a nossa humanidade se torna a humanidade de Cristo! Mas também, que responsabilidade tudo isso! Se os meus olhos se tornaram os olhos de Cristo, a minha boca, a de Cristo, eis o motivo para não permitir ao meu olhar se deter em imagens lascivas, à minha língua, não falar contra o irmão, ao meu corpo, não servir como instrumento de pecado. “Poderia eu fazer dos membros de Cristo membros de uma prostituta?”, escrevia aterrorizado São Paulo aos Coríntios (1Cor 6,15).

Todavia, ainda não é tudo; falta a parte mais bonita. O corpo da esposa pertence ao esposo; mas também o corpo do esposo pertence à esposa. Do dar, deve-se passar imediatamente, na comunhão, ao receber. Receber nada menos do que a santidade de Cristo! Onde se atuará, concretamente, na vida do fiel, aquela “maravilhosa troca” (admirabile commercium) de que fala a liturgia, se não se atua no momento da comunhão?

Aí temos a possibilidade de dar a Jesus os nossos farrapos e receber dele o “manto da justiça” (Is 61,10). De fato, está escrito que ele “se tornou para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção” (cf. 1Cor 1,30). O que ele se tornou “por nós” nos é destinado, pertence-nos. “Pois – escreve Cabasilas – como não pertencemos mais a nós mesmos, mas a Cristo que nos readquiriu a um alto preço (cf. 1Cor 6,20), daí segue-se que o que é de Cristo nos pertence, é mais nosso do que aquilo que provém de nós”[5]. Só precisamos lembrar de uma coisa: nós pertencemos a Cristo por direito, ele nos pertence pela graça!

É uma descoberta capaz de dar asas à nossa vida espiritual. Este é o golpe de audácia da fé, e deveríamos rezar a Deus que não nos permita morrer sem antes tê-lo realizado.

A Eucaristia, comunhão com a Trindade

Refletir sobre a Eucaristia é como ver escancarar-se diante de nós, à medida que avançamos, horizontes sempre mais vastos que se abrem um sobre o outro, a perder de vista. O horizonte cristológico da comunhão que contemplamos até aqui se abre, de fato, sobre um horizonte trinitário. Em outras palavras, por meio da comunhão com Cristo, nós entramos em comunhão com toda a Trindade. Em sua “oração sacerdotal”, Jesus diz ao Pai: “Que eles sejam um, como nós somos um. Eu neles e tu em mim” (Jo 17,23). Aquelas palavras: “Eu neles e tu em mim”, significam que Jesus está em nós e que em Jesus há o Pai. Por isso, não se pode receber o Filho sem receber, com ele, também o Pai. A palavra de Cristo: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9), significa também “quem me recebe, recebe o Pai”.

O motivo último disso é que Pai, Filho e Espírito Santo são uma única e inseparável natureza divina, são “um”. Escreve, a este propósito, Santo Hilário de Poitiers: “Nós estamos unidos a Cristo, que é inseparável do Pai. Ele, mesmo permanecendo unido ao Pai, permanece unido a nós; assim também nós chegamos à unidade com o Pai. De fato, Cristo está no Pai conaturalmente, enquanto dele gerado; mas, de certo modo, também nós, por meio de Cristo, estamos conaturalmente no Pai. Ele vive em virtude do Pai e nós vivemos em virtude da sua humanidade”[6].

O que se diz do Pai vale também para o Espírito Santo. Na Eucaristia, tem-se uma réplica sacramental do que aconteceu na vida terrena de Cristo. No momento do seu nascimento terreno, é o Espírito Santo quem doa Cristo ao mundo (Maria concebeu por obra do Espírito Santo!); no momento da morte, é Cristo quem doa ao mundo o Espírito Santo (morrendo, “entregou o Espírito”). De forma semelhante, na Eucaristia, no momento da consagração, é o Espírito Santo que nos doa Jesus (é pela ação do Espírito que o pão se transforma no corpo de Cristo!), no momento da comunhão é Cristo que, vindo a nós, doa-nos o Espírito Santo.

Santo Irineu (finalmente Doutor da Igreja!) diz que o Espírito Santo é “a nossa mesma comunhão com Cristo”[7]. Na comunhão, Jesus vem a nós como aquele que doa o Espírito. Não como aquele que um dia, há muito tempo, deu o Espírito, mas como aqueles que agora, consumado o seu sacrifício incruento sobre o altar, de novo, “entrega o Espírito” (cf. Jo 19, 30). A Eucaristia não é apenas a Páscoa diária; é também Pentecostes diário!

A comunhão uns com os outros

Destas alturas vertiginosas, voltemos agora à terra e passemos à segunda dimensão da comunhão eucarística: a comunhão com o corpo de Cristo que é a Igreja. Recordemos a palavra do Apóstolo: “Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão”.

Desenvolvendo um pensamento já esboçado na Didaké, Santo Agostinho vê uma analogia no modo em que se formam os dois corpos de Cristo: o eucarístico e o eclesial. No caso da Eucaristia, temos o grão de trigo primeiramente lançado nas colinas que, debulhado, moído, misturado na água e cozido ao fogo, torna-se o pão que chega sobre o altar; no caso da Igreja, temos a multidão das pessoas que, reunidas pela pregação evangélica, moídas pelos jejuns e pela penitência, misturadas na água do batismo e cozidas ao fogo do Espírito, formam o corpo que é a Igreja[8].

Imediatamente, vem ao nosso encontro, a este propósito, a palavra de Cristo: “Se, portanto, levares a tua oferenda ao altar, te lembrares de que teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua oferenda lá diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão e, então, volta para apresentar a tua oferenda” (Mt 5,23-24). Se você vai receber a comunhão, mas ofendeu um irmão e não se reconciliou, você se assemelha – dizia ainda Santo Agostinho ao povo – a alguém que vê chegar um amigo, o qual não via há anos. Você corre para encontrá-lo, você se levanta na ponta dos pés para beijar sua fronte… Mas, ao fazer este gesto, não se dá conta de que lhe está pisando os pés com calçados cheios de pregos[9]. Os irmãos e irmãs são os pés de Jesus que ainda caminha sobre a terra

Comunhão com os pobres

Isto vale, de modo especial, em relação aos pobres, aos aflitos e marginalizados. Aquele que disse sobre o pão: “Isto é o meu corpo”, disse também sobre o pobre. Disse-o quando, falando do que tiver sido feito para o faminto, o sedento, o preso e o nu, declarou solenemente: “Foi a mim que o fizestes!”. É como dizer: “Estava com fome, com sede, eu era o forasteiro, o doente, o prisioneiro” (cf. Mt 25,35ss). Já recordei outras vezes o momento em que esta verdade quase explodiu dentro de mim. Eu estava em missão em um país muito pobre. Caminhando pelas ruas da capital, eu via por todo lado crianças cobertas por farrapos sujos, que corriam atrás do caminhão de lixo para procurar algo para comer. Em um certo momento, era como se Jesus me dissesse interiormente: “Olha bem: aquilo é o meu corpo!”. Foi de tirar o fôlego.

A irmã do grande filósofo cristão Blaise Pascal relata o seguinte fato sobre seu irmão. Em sua última enfermidade, não conseguia reter nada do que comia e, por isso, não lhe permitiram receber o viático, que pedia insistentemente. Então disse: “Se não podem me dar a Eucaristia, deixem pelo menos que entre um pobre em meu quarto. Se não posso comungar a Cabeça, quero ao menos comungar com o seu corpo”[10].

O único impedimento para receber a comunhão que São Paulo menciona explicitamente é o fato de que, na assembleia, “um passa fome e outro se embriaga”: “De fato, quando vos reunis, não é para comer a ceia do Senhor, pois cada um se apressa em comer a sua própria ceia e, enquanto um passa fome, o outro se embriaga” (1Cor 11,20-21). Dizer “isto não é comer a ceia do Senhor” é como dizer: a sua não é mais uma verdadeira Eucaristia! É uma afirmação forte, também de um ponto de vista teológico, à qual talvez não prestemos bastante atenção.

Hoje em dia, a situação em que alguém passa fome e outro desperdiça comida não é mais um problema local, mas mundial. Não pode haver nada em comum entre a ceia do Senhor e o almoço do homem rico, onde o patrão tem um abundante banquete, ignorando o pobre que está fora da porta (cf. Lc 16,19ss). A preocupação de compartilhar o que se tem com quem necessita, próximos e distantes, deve ser parte integrante de nossa vida eucarística.

Não há ninguém que, querendo, não possa, durante a semana, cumprir um daqueles gestos de que fala Jesus: “Foi a mim que o fizestes”. Compartilhar não significa simplesmente “dar algo”: pão, roupas, hospitalidade; significa também visitar alguém: um prisioneiro, um doente, um idoso solitário. Não é dar apenas do próprio dinheiro, mas também do próprio tempo. O pobre e o sofredor precisam de solidariedade e amor, não menos do que de pão e roupas, sobretudo neste tempo de isolamento imposto pela pandemia.

Jesus disse: “Os pobres sempre tendes convosco, mas a mim não tereis sempre” (Mt 26,11). Isto é verdade também no sentido de que nem sempre podemos receber o corpo de Cristo na Eucaristia e, mesmo quando o recebemos, isto dura apenas alguns minutos, enquanto podemos sempre recebê-lo nos pobres. Aqui, não há limites, é necessário apenas que o queiramos. Os pobres estão sempre ao nosso alcance. Cada vez que encontramos alguém que sofre, especialmente se se trata de certas formas extremas de sofrimento, se estivermos atentos, ouviremos, com os ouvidos da fé, a palavra de Cristo: “Isto é o meu corpo!”.

Concluo com uma pequena história que li em algum lugar. Um homem vê uma menina desnutrida, descalça e tremendo de frio, e brada a Deus, quase com raiva: “Ó Deus, por que não fazes algo por aquela menina?”. Deus lhe responde: “Claro que fiz algo por aquela menina: eu te fiz!

Que Deus nos ajude a recordar disso no momento certo.