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Programa da rota da Comunidade Emanuel para as JMJ2023

📢WYD 2023 com a Comunidade Emanuel📢

Finalmente podemos anunciar o nosso programa oficial para a JMJ de 2023 em Portugal!

Preparados? Aqui vai :

  • Forum Internacional de Jovens em Coimbra : 27-31 de Julho
  • Peregrinação de um dia ao Santuário de Fátima
  • Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa : 1-6 de Agosto

Interessado em participar? Entre em contato com o líder Juvenil da sua zona / país ou contate-nos por e-mail: [email protected]

Em Portugal, poderá contactar:

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Amabilidade – 10 mandamentos da família Amoris Laeticia

Amar é também tornar-se amável, e nisto está o sentido do termo asjemonéi. Significa que o amor não age rudemente, não actua de forma inconveniente, não se mostra duro no trato. Os seus modos, as suas palavras, os seus gestos são agradáveis; não são ásperos, nem rígidos. Detesta fazer sofrer os outros. A cortesia «é uma escola de sensibilidade e altruísmo», que exige que a pessoa «cultive a sua mente e os seus sentidos, aprenda a ouvir, a falar e, em certos momentos, a calar». Ser amável não é um estilo que o cristão possa escolher ou rejeitar: faz parte das exigências irrenunciáveis do amor, por isso «todo o ser humano está obrigado a ser afável com aqueles que o rodeiam». Diariamente «entrar na vida do outro, mesmo quando faz parte da nossa existência, exige a delicadeza duma atitude não invasiva, que renova a confiança e o respeito. (…) E quanto mais íntimo e profundo for o amor, tanto mais exigirá o respeito pela liberdade e a capacidade de esperar que o outro abra a porta do seu coração».

A fim de se predispor para um verdadeiro encontro com o outro, requer-se um olhar amável pousado nele. Isto não é possível quando reina um pessimismo que põe em evidência os defeitos e erros alheios, talvez para compensar os próprios complexos. Um olhar amável faz com que nos detenhamos menos nos limites do outro, podendo assim tolerá-lo e unirmo-nos num projecto comum, apesar de sermos diferentes.

O amor amável gera vínculos, cultiva laços, cria novas redes de integração, constrói um tecido social firme. Deste modo, uma pessoa protege-se a si mesma, pois, sem sentido de pertença, não se pode sustentar uma entrega aos outros, acabando cada um por buscar apenas as próprias conveniências, e a convivência torna-se impossível. Uma pessoa anti-social julga que os outros existem para satisfazer as suas necessidades e, quando o fazem, cumprem apenas o seu dever. Neste caso, não haveria espaço para a amabilidade do amor e a sua linguagem. A pessoa que ama é capaz de dizer palavras de incentivo, que reconfortam, fortalecem, consolam, estimulam. Vejamos, por exemplo, algumas palavras que Jesus dizia às pessoas: «Filho, tem confiança!» (Mt 9, 2). «Grande é a tua fé!» (Mt 15, 28). «Levanta-te!» (Mc 5, 41). «Vai em paz» (Lc 7, 50). «Não temais!» (Mt 14, 27). Não são palavras que humilham, angustiam, irritam, desprezam. Na família, é preciso aprender esta linguagem amável de Jesus.

Amoris Laetitia, nº 99 e 100

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A caminho das JMJ Lisboa 2023

A equipa da Missão Internacional da Juventude da Comunidade Emmanuel deslocou-se a Coimbra e a Lisboa no fim-de-semana de 5 a 7 de Novembro para lançar a organização das JMJ pela Comunidade .

Este fim-de-semana foi sobretudo uma oportunidade de conhecer a equipa local, responsável pela organização do pré-Fórum Comunitário que tradicionalmente se realiza antes da JMJ, mas também de intercâmbio com os diversos responsáveis ​​pela organização das JMJ, que já o fazem: a trabalhar arduamente para se preparar para a chegada dos 2 milhões de jovens que se esperam em Portugal em 2023.

Hoje temos o prazer de anunciar que a Comunidade Emmanuel voltará a participar na JMJ em 2023. O nosso grupo organizará um Fórum da Juventude de 27 a 31 de julho de 2023 em Coimbra, antes de chegar a Lisboa onde se realizarão os encontros de 1 a 6 de Agosto. Poderá encontrar toda a informação atualmente disponível sobre a JMJ na página dedicada ( JMJ -2023 Emmanuel Jeunes ) e colocar-nos as suas questões através do nosso e-mail: [email protected] . Faremos o possível para mantê-lo informado assim que tivermos mais informações sobre as datas de inscrição.

Por fim, gostaríamos de aproveitar a oportunidade para lembrar que o Papa já nos convida a viver a JMJ em nossas dioceses, trazendo a intenção da JMJ para as atividades pastorais que serão organizadas por ocasião da festa de Cristo Rei, neste domingo, 21 de novembro. Você pode encontrar ➨ aqui a mensagem completa do Papa por ocasião da XXXVI Jornada Mundial da Juventude .

Confiamos à vossa oração a organização da JMJ e também as missões juvenis da comunidade.

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Os 10 mandamentos da família

Desde o dia 16 de novembro que, passo a passo, o Departamento Nacional de Pastoral Familiar começou a publicar nas redes sociais uma proposta de decálogo para as famílias (10 mandamentos) emanado do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (um organismo do Vaticano): uma nova iniciativa no quadro do Ano “Família Amoris Laetitia”, dedicado pelo Papa Francisco às famílias – e que terminará no final da primavera de 2022.

Depois do rosário dos namorados, do rosário das famílias, da campanha social #WalkingwithFamilies, dos 10 vídeos Amoris Laetitia com o Santo Padre em diálogo com famílias do mundo todo e de muitos outros eventos e publicações, sai agora um Decálogo para as crianças, com 10 conselhos para crescer juntos – pais e filhos – no ambiente familiar, colocando em prática o que o Papa Francisco diz na exortação apostólica Amoris Laetitia. São 10 dicas que os pais e educadores podem dar aos pequeninos para fazê-los descobrir a importância do diálogo em família, da fraternidade, do valor de si e do espírito de serviço.

Mesmo com toda a sua simplicidade, a campanha é importante, porque deseja – de acordo com as intenções do Dicastério – contribuir para focalizar a atenção pastoral na formação e educação das crianças em família, para ajudar os pais a não se renderem diante de tantos problemas hoje tão comuns na pré-adolescência. Estes geralmente são causados pela falta de diálogo com os filhos e de um profundo sentimento de solidão da parte das crianças, que, hoje em dia, podem esconder experiências traumáticas, como, por exemplo, o cyberbullying. Assim, nas próximas semanas, iremos focar-nos em cada um destes 10 mandamentos: um por semana.

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Levanta-te e testemunha!

Os Jovens da Comunidade Emanuel – Emanuel Jovens_pt – estão a organizar um encontro com jovens de todo o país na véspera do dia da JMJ 2021 – 20 de novembro. Podemos contar contigo? Esperamos por ti!!!Este sábado, às 21h na Paróquia de São de Arroios em Lisboa! Qualquer dúvida não hesites em contactar por qualquer um dos meios ao dispor.

Respondendo ao convite do Papa Francisco, a Emanuel Jovens caminha rumo às JMJ 2023, com um.encontro este sábado em Lisboa sob o tema proposto “Levanta-te e testemunha”. E tu? Vais sair do sofá?

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Sempre tereis pobres entre vós

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO PARA O V DIA MUNDIAL DOS POBRES

(XXXIII Domingo do Tempo Comum – 14 de novembro de 2021)

«Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7)

1. «Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7): estas palavras foram pronunciadas por Jesus, alguns dias antes da Páscoa, por ocasião duma refeição em Betânia na casa de Simão chamado «o leproso». Como narra o evangelista, entrou lá uma mulher com um vaso de alabastro cheio de perfume muito precioso e derramou-o sobre a cabeça de Jesus. Este gesto suscitou grande estupefação e deu origem a duas interpretações diversas.

A primeira delas é a indignação de alguns dos presentes, incluindo os discípulos, que, ao considerar o valor do perfume (cerca de 300 denários, equivalente ao salário anual dum trabalhador), pensam que teria sido melhor vendê-lo e dar o produto aos pobres. Segundo o Evangelho de João, é Judas que se faz intérprete desta posição: «Porque é que não se vendeu este perfume por trezentos denários, para os dar aos pobres?». E o evangelista observa: «Ele, porém, disse isto, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão e, como tinha a bolsa do dinheiro, tirava o que nela se deitava» (Jo 12, 5-6). Não é por acaso que esta crítica dura sai da boca do traidor: é a prova de que, quantos não reconhecem os pobres, atraiçoam o ensinamento de Jesus e não podem ser seus discípulos. Recordemos, a este propósito, as palavras fortes de Orígenes: «Judas, aparentemente, estava preocupado com os pobres. (…) Se, agora, ainda houver alguém que tem a bolsa da Igreja e fala a favor dos pobres como Judas, mas depois tira o que metem lá dentro, então tenha parte juntamente com Judas» (Comentário ao Evangelho de Mateus 11, 9).

A segunda interpretação é dada pelo próprio Jesus e permite individuar o sentido profundo do gesto realizado pela mulher. Diz Ele: «Deixai-a. Porque estais a atormentá-la? Praticou em Mim uma boa ação» (Mc 14, 6). Jesus sabe que está próxima a sua morte e vê, naquele gesto, a antecipação da unção do seu corpo sem vida antes de ser colocado no sepulcro. Esta visão ultrapassa todas as expetativas dos convivas. Jesus recorda-lhes que Ele é o primeiro pobre, o mais pobre entre os pobres, porque os representa a todos. E é também em nome dos pobres, das pessoas abandonadas, marginalizadas e discriminadas que o Filho de Deus aceita o gesto daquela mulher. Esta, com a sua sensibilidade feminina, demonstra ser a única que compreendeu o estado de espírito do Senhor. Esta mulher anónima – talvez por isso destinada a representar todo o universo feminino que, no decurso dos séculos, não terá voz e sofrerá violências –, inaugura a significativa presença de mulheres que participam no momento culminante da vida de Cristo: a sua crucifixão, morte e sepultura e a sua aparição como Ressuscitado. As mulheres, tantas vezes discriminadas e mantidas ao largo dos postos de responsabilidade, nas páginas do Evangelho são, pelo contrário, protagonistas na história da revelação. E é eloquente a frase conclusiva de Jesus, que associa esta mulher à grande missão evangelizadora: «Em verdade vos digo: em qualquer parte do mundo onde for proclamado o Evangelho, há de contar-se também, em sua memória, o que ela fez» (Mc 14, 9).

2. Esta forte «empatia» entre Jesus e a mulher e o modo como Ele interpreta a sua unção, em contraste com a visão escandalizada de Judas e doutros, inauguram um fecundo caminho de reflexão sobre o laço indivisível que existe entre Jesus, os pobres e o anúncio do Evangelho.

Com efeito, o rosto de Deus que Ele revela é o de um Pai para os pobres e próximo dos pobres. Toda a obra de Jesus afirma que a pobreza não é fruto duma fatalidade, mas sinal concreto da sua presença no nosso meio. Não O encontramos quando e onde queremos, mas reconhecemo-Lo na vida dos pobres, na sua tribulação e indigência, nas condições por vezes desumanas em que são obrigados a viver. Não me canso de repetir que os pobres são verdadeiros evangelizadores, porque foram os primeiros a ser evangelizados e chamados a partilhar a bem-aventurança do Senhor e o seu Reino (cf. Mt 5, 3).

Os pobres de qualquer condição e latitude evangelizam-nos, porque permitem descobrir de modo sempre novo os traços mais genuínos do rosto do Pai. Eles «têm muito para nos ensinar. Além de participar do sensus fidei, nas suas próprias dores conhecem Cristo sofredor. É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas, e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles. O nosso compromisso não consiste exclusivamente em ações ou em programas de promoção e assistência; aquilo que o Espírito põe em movimento não é um excesso de ativismo, mas primariamente uma atenção prestada ao outro, considerando-o como um só consigo mesmo. Esta atenção amiga é o início duma verdadeira preocupação pela sua pessoa e, a partir dela, desejo de procurar efetivamente o seu bem» (Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 198-199).

3. Jesus não só está do lado dos pobres, mas também partilha com eles a mesma sorte. Isto constitui também um forte ensinamento para os seus discípulos de todos os tempos. As suas palavras – «sempre tereis pobres entre vós» – pretendem indicar também isto: a sua presença no meio de nós é constante, mas não deve induzir àquela habituação que se torna indiferença, mas empenhar numa partilha de vida que não prevê delegações. Os pobres não são pessoas «externas» à comunidade, mas irmãos e irmãs cujo sofrimento se partilha, para abrandar o seu mal e a marginalização, a fim de lhes ser devolvida a dignidade perdida e garantida a necessária inclusão social. Aliás sabe-se que um gesto de beneficência pressupõe um benfeitor e um beneficiado, enquanto a partilha gera fraternidade. A esmola é ocasional, ao passo que a partilha é duradoura. A primeira corre o risco de gratificar quem a dá e humilhar quem a recebe, enquanto a segunda reforça a solidariedade e cria as premissas necessárias para se alcançar a justiça. Enfim os crentes, quando querem ver Jesus em pessoa e tocá-Lo com a mão, sabem aonde dirigir-se: os pobres são sacramento de Cristo, representam a sua pessoa e apontam para Ele.

Temos muitos exemplos de Santos e Santas que fizeram da partilha com os pobres o seu projeto de vida. Penso, entre outros, no Padre Damião de Veuster, Santo apóstolo dos leprosos. Com grande generosidade, respondeu à vocação de ir para a ilha de Molokai – tinha-se tornado um gueto acessível apenas aos leprosos –, a fim de viver e morrer com eles. Lançando-se ao trabalho, tudo fez para tornar digna de ser vivida a existência daqueles pobres doentes e marginalizados, reduzidos à degradação extrema. Fez-se médico e enfermeiro, sem se preocupar com os riscos que corria, levando a luz do amor àquela «colónia de morte», como era designada a ilha. A lepra atingiu-o também a ele, sinal duma partilha total com os irmãos e irmãs pelos quais dera a vida. O seu testemunho é muito atual nestes nossos dias, marcados pela pandemia de coronavírus: com certeza a graça de Deus está em ação no coração de muitas pessoas que, sem dar nas vistas, se gastam concretamente partilhando a sorte dos mais pobres.

4. Por isso precisamos de aderir com plena convicção ao convite do Senhor: «Convertei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1, 15). Esta conversão consiste, primeiro, em abrir o nosso coração para reconhecer as múltiplas expressões de pobreza e, depois, em manifestar o Reino de Deus através dum estilo de vida coerente com a fé que professamos. Com frequência, os pobres são considerados como pessoas aparte, como uma categoria que requer um serviço caritativo especial. Seguir Jesus comporta uma mudança de mentalidade a esse propósito, ou seja, acolher o desafio da partilha e da comparticipação. Tornar-se seu discípulo implica a opção de não acumular tesouros na terra, que dão a ilusão duma segurança em realidade frágil e efémera; ao contrário, requer disponibilidade para se libertar de todos os vínculos que impedem de alcançar a verdadeira felicidade e bem-aventurança, para reconhecer aquilo que é duradouro e que nada e ninguém pode destruir (cf. Mt 6, 19-20).

Mas o ensinamento de Jesus aparece em contracorrente também neste caso, porque promete aquilo que só os olhos da fé podem ver e experimentar com certeza absoluta: «Todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna» (Mt 19, 29). Se não se optar por tornar-se pobre de riquezas efémeras, poder mundano e vanglória, nunca se sará capaz de dar a vida por amor; viver-se-á uma existência fragmentária, cheia de bons propósitos mas ineficaz para transformar o mundo. Trata-se, portanto, de abrir-se decididamente à graça de Cristo, que pode tornar-nos testemunhas da sua caridade sem limites e restituir credibilidade à nossa presença no mundo.

5. O Evangelho de Cristo impele a ter uma atenção muito particular para com os pobres e requer que se reconheça as múltiplas, demasiadas, formas de desordem moral e social que sempre geram novas formas de pobreza. Parece ganhar terreno a conceção segundo a qual os pobres não só são responsáveis pela sua condição, mas constituem também um peso intolerável para um sistema económico que coloca no centro o interesse dalgumas categorias privilegiadas. Um mercado que ignora ou discrimina os princípios éticos cria condições desumanas que se abatem sobre pessoas que já vivem em condições precárias. Deste modo assiste-se à criação incessante de armadilhas novas da miséria e da exclusão, produzidas por agentes económicos e financeiros sem escrúpulos, desprovidos de sentido humanitário e responsabilidade social.

Além disso, no ano passado, veio juntar-se outra praga que multiplicou ainda mais o número dos pobres: a pandemia. Esta continua a bater à porta de milhões de pessoas e, mesmo quando não traz consigo o sofrimento e a morte, todavia é portadora de pobreza. Os pobres têm aumentado desmesuradamente e o mesmo, infelizmente, continuará a verificar-se ainda nos próximos meses. Alguns países estão a sofrer gravíssimas consequências devido à pandemia, a ponto de as pessoas mais vulneráveis se encontrarem privadas de bens de primeira necessidade. As longas filas diante das cantinas para os pobres são o sinal palpável deste agravamento. Um olhar atento requer que se encontrem as soluções mais idóneas para combater o vírus a nível mundial, sem olhar a interesses de parte. De modo particular, é urgente dar respostas concretas a quantos padecem o desemprego, que atinge de maneira dramática tantos pais de família, mulheres e jovens. A solidariedade social e a generosidade de que muitos, graças a Deus, são capazes, juntamente com projetos clarividentes de promoção humana, estão a dar e darão um contributo muito importante nesta conjuntura.

6. Entretanto permanece de pé uma questão, nada óbvia: Como se pode dar uma resposta palpável aos milhões de pobres que tantas vezes, como resposta, só encontram a indiferença, quando não a aversão? Qual caminho de justiça é necessário percorrer para que as desigualdades sociais possam ser superadas e seja restituída a dignidade humana tão frequentemente espezinhada? Um estilo de vida individualista é cúmplice na geração da pobreza e, muitas vezes, descarrega sobre os pobres toda a responsabilidade da sua condição. Mas a pobreza não é fruto do destino; é consequência do egoísmo. Portanto é decisivo dar vida a processos de desenvolvimento onde se valorizem as capacidades de todos, para que a complementaridade das competências e a diversidade das funções conduzam a um recurso comum de participação. Há muitas pobrezas dos «ricos» que poderiam ser curadas pela riqueza dos «pobres», bastando para isso encontrarem-se e conhecerem-se. Ninguém é tão pobre que não possa dar algo de si na reciprocidade. Os pobres não podem ser aqueles que apenas recebem; devem ser colocados em condição de poder dar, porque sabem bem como corresponder. Quantos exemplos de partilha diante dos nossos olhos! Os pobres ensinam-nos frequentemente a solidariedade e a partilha. É verdade que são pessoas a quem falta algo e por vezes até muito, se não mesmo o necessário; mas não falta tudo, porque conservam a dignidade de filhos de Deus que nada e ninguém lhes pode tirar.

7. Impõe-se, pois, uma abordagem diferente da pobreza. É um desafio que os governos e as instituições mundiais precisam de perfilhar, com um modelo social clarividente, capaz de enfrentar as novas formas de pobreza que invadem o mundo e marcarão de maneira decisiva as próximas décadas. Se os pobres são colocados à margem, como se fossem os culpados da sua condição, então o próprio conceito de democracia é posto em crise e fracassa toda e qualquer política social. Com grande humildade, temos de confessar que muitas vezes não passamos de incompetentes a respeito dos pobres: fala-se deles em abstrato, fica-se pelas estatísticas e pensa-se sensibilizar com qualquer documentário. Ao contrário, a pobreza deveria incitar a uma projetação criativa, que permita fazer aumentar a liberdade efetiva de conseguir realizar a existência com as capacidades próprias de cada pessoa. Pensar que a posse de dinheiro consinta e aumente a liberdade é uma ilusão de que devemos afastar-nos. Servir eficazmente os pobres incita à ação e permite encontrar as formas mais adequadas para levantar e promover esta parte da humanidade, demasiadas vezes anónima e sem voz, mas que em si mesma traz impresso o rosto do Salvador que pede ajuda.

8. «Sempre tereis pobres entre vós» (Mc 14, 7): é um convite a não perder jamais de vista a oportunidade que se nos oferece para fazer o bem. Como pano de fundo, pode-se vislumbrar o antigo mandamento bíblico: «Se houver junto de ti um indigente entre os teus irmãos (…), não endurecerás o teu coração e não fecharás a tua mão ao irmão necessitado. Abre-lhe a tua mão, empresta-lhe sob penhor, de acordo com a sua necessidade, aquilo que lhe faltar. (…) Deves dar-lhe, sem que o teu coração fique pesaroso; porque, em recompensa disso, o Senhor, teu Deus, te abençoará em todas as empresas das tuas mãos. Sem dúvida, nunca faltarão pobres na terra» (Dt 15, 7-8.10-11). E no mesmo cumprimento de onda se coloca o apóstolo Paulo, quando exorta os cristãos das suas comunidades a socorrer os pobres da primeira comunidade de Jerusalém e a fazê-lo «sem tristeza nem constrangimento, pois Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7). Não se trata de serenar a nossa consciência dando qualquer esmola, mas antes contrastar a cultura da indiferença e da injustiça com que se olha os pobres.

Neste ponto, faz-nos bem recordar as palavras de São João Crisóstomo: «Quem é generoso não deve pedir contas do comportamento, mas somente melhorar a condição de pobreza e satisfazer a necessidade. O pobre só tem uma defesa: a sua pobreza e a condição de necessidade em que se encontra. Não lhe peças mais nada; mesmo que fosse o homem mais malvado do mundo, se lhe vier a faltar o alimento necessário, libertemo-lo da fome. (…) O homem misericordioso é um porto para quem está em necessidade: o porto acolhe e liberta do perigo todos os náufragos, sejam eles malfeitores, bons ou como forem. Aos que se encontram em perigo, o porto acolhe-os, coloca-os em segurança dentro da sua enseada. Também tu, portanto, quando vês por terra um homem que sofreu o naufrágio da pobreza, não o julgues, nem lhe peças conta do seu comportamento, mas liberta-o da desventura» (Discursos sobre o pobre Lázaro, II, 5).

9. É decisivo aumentar a sensibilidade para se compreender as exigências dos pobres, sempre em mutação por força das condições de vida. Com efeito, nas áreas economicamente mais desenvolvidas do mundo, está-se menos predisposto hoje que no passado a confrontar-se com a pobreza. O estado de relativo bem-estar ao qual se habituaram torna mais difícil aceitar sacrifícios e privações. Está-se pronto a tudo só para não ficar privado daquilo que foi fruto de fácil conquista. Deste modo, cai-se em formas de rancor, nervosismo espasmódico, reivindicações que levam ao medo, à angústia e, nalguns casos, à violência. Este não é o critério sobre o qual construir o futuro; também estas são formas de pobreza, para as quais não se pode deixar de olhar. Devemos estar abertos a ler os sinais dos tempos que exprimem novas modalidades de ser evangelizadores no mundo contemporâneo. A assistência imediata para acorrer às necessidades dos pobres não deve impedir de ser clarividente para atuar novos sinais do amor e da caridade cristã como resposta às novas pobrezas que experimenta a humanidade de hoje.

Faço votos de que o Dia Mundial dos Pobres, chegado já à sua quinta celebração, possa radicar-se cada vez mais nas nossas Igrejas locais e abrir-se a um movimento de evangelização que, em primeira instância, encontre os pobres lá onde estão. Não podemos ficar à espera que batam à nossa porta; é urgente ir ter com eles às suas casas, aos hospitais e casas de assistência, à estrada e aos cantos escuros onde, por vezes, se escondem, aos centros de refúgio e de acolhimento… É importante compreender como se sentem, o que estão a passar e quais os desejos que têm no coração. Façamos nossas as palavras inflamadas do Padre Primo Mazzolari: «Gostaria de pedir-vos para não me perguntardes se existem pobresquem são e quantos são, porque tenho receio que tais perguntas representem uma distração ou o pretexto para escapar duma específica indicação da consciência e do coração. (…) Os pobres, eu nunca os contei, porque não se podem contar: os pobres abraçam-se, não se contam»(Revista «Adesso», n.º 7, 15 de abril de 1949). Os pobres estão no meio de nós. Como seria evangélico, se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiríamos realmente reconhecê-los e fazê-los tornar-se parte da nossa vida e instrumento de salvação.

Roma, São João de Latrão, na Memória de Santo António, 13 de junho de 2021.

Francisco

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Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões

«Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos» (At 4, 20)

Queridos irmãos e irmãs!

Quando experimentamos a força do amor de Deus, quando reconhecemos a sua presença de Pai na nossa vida pessoal e comunitária, não podemos deixar de anunciar e partilhar o que vimos e ouvimos. A relação de Jesus com os seus discípulos, a sua humanidade que nos é revelada no mistério da Encarnação, no seu Evangelho e na sua Páscoa mostram-nos até que ponto Deus ama a nossa humanidade e assume as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos anseios e angústias (cf. Conc. Ecum. Vat II, Const. past. Gaudium et spes, 22). Tudo, em Cristo, nos lembra que o mundo em que vivemos e a sua necessidade de redenção não Lhe são estranhos e também nos chama a sentirmo-nos parte ativa desta missão: «Ide às saídas dos caminhos e convidai todos quantos encontrardes» (cf. Mt 22, 9). Ninguém é estranho, ninguém pode sentir-se estranho ou afastado deste amor de compaixão.

A experiência dos Apóstolos

A história da evangelização tem início com uma busca apaixonada do Senhor, que chama e quer estabelecer com cada pessoa, onde quer que esteja, um diálogo de amizade (cf. Jo 15, 12-17). Os Apóstolos são os primeiros que nos referem isso, lembrando inclusive a hora do dia em que O encontraram: «Eram as quatro da tarde» (Jo 1, 39). A amizade com o Senhor, vê-Lo curar os doentes, comer com os pecadores, alimentar os famintos, aproximar-Se dos excluídos, tocar os impuros, identificar-Se com os necessitados, fazer apelo às bem-aventuranças, ensinar de maneira nova e cheia de autoridade, deixa uma marca indelével, capaz de suscitar admiração e uma alegria expansiva e gratuita que não se pode conter. Como dizia o profeta Jeremias, esta experiência é o fogo ardente da sua presença ativa no nosso coração que nos impele à missão, mesmo que às vezes implique sacrifícios e incompreensões (cf. 20, 7-9). O amor está sempre em movimento e põe-nos em movimento, para partilhar o anúncio mais belo e promissor: «Encontramos o Messias» (Jo 1, 41).

Com Jesus, vimos, ouvimos e constatamos que as coisas podem mudar. Ele inaugurou – já para os dias de hoje – os tempos futuros, recordando-nos uma caraterística essencial do nosso ser humano, tantas vezes esquecida: «fomos criados para a plenitude, que só se alcança no amor» (Francisco, Carta enc. Fratelli tutti, 68). Tempos novos, que suscitam uma fé capaz de estimular iniciativas e plasmar comunidades a partir de homens e mulheres que aprendem a ocupar-se da fragilidade própria e dos outros (cf. ibid., 67), promovendo a fraternidade e a amizade social. A comunidade eclesial mostra a sua beleza, sempre que se lembra, com gratidão, que o Senhor nos amou primeiro (cf. 1 Jo 4, 19). Esta «predileção amorosa do Senhor surpreende-nos e gera maravilha; esta, por sua natureza, não pode ser possuída nem imposta por nós. (…) Só assim pode florir o milagre da gratuidade, do dom gratuito de si mesmo. O próprio ardor missionário nunca se pode obter em consequência dum raciocínio ou dum cálculo. Colocar-se “em estado de missão” é um reflexo da gratidão» (Francisco, Mensagem às Pontifícias Obras Missionárias, 21 de maio de 2020).

E, no entanto, os tempos não eram fáceis; os primeiros cristãos começaram a sua vida de fé num ambiente hostil e árduo. Histórias de marginalização e prisão entrelaçavam-se com resistências internas e externas, que pareciam contradizer e até negar o que tinham visto e ouvido; mas isso, em vez de ser uma dificuldade ou um obstáculo que poderia levá-los a retrair-se ou fechar-se em si mesmos, impeliu-os a transformar cada incómodo, contrariedade e dificuldade em oportunidade para a missão. Os próprios limites e impedimentos tornaram-se um lugar privilegiado para ungir, tudo e todos, com o Espírito do Senhor. Nada e ninguém podia permanecer alheio ao anúncio libertador.

Possuímos o testemunho vivo de tudo isto nos Atos dos Apóstolos, livro que os discípulos missionários sempre têm à mão. É o livro que mostra como o perfume do Evangelho se difundiu à passagem deles, suscitando aquela alegria que só o Espírito nos pode dar. O livro dos Atos dos Apóstolos ensina-nos a viver as provações unindo-nos a Cristo, para maturar a «convicção de que Deus pode atuar em qualquer circunstância, mesmo no meio de aparentes fracassos», e a certeza de que «a pessoa que se oferece e entrega a Deus por amor, seguramente será fecunda (cf. Jo 15, 5)» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 279).

O mesmo se passa connosco: o momento histórico atual também não é fácil. A situação da pandemia evidenciou e aumentou o sofrimento, a solidão, a pobreza e as injustiças de que já tantos padeciam, e desmascarou as nossas falsas seguranças e as fragmentações e polarizações que nos dilaceram silenciosamente. Os mais frágeis e vulneráveis sentiram ainda mais a sua vulnerabilidade e fragilidade. Experimentamos o desânimo, a deceção, o cansaço; e até a amargura conformista, que tira a esperança, se apoderou do nosso olhar. Nós, porém, «não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor, e nos consideramos vossos servos por amor de Jesus» (2 Cor 4, 5). Por isso ouvimos ressoar nas nossas comunidades e famílias a Palavra de vida que ecoa nos nossos corações dizendo: «Não está aqui; ressuscitou» (Lc 24, 6); uma Palavra de esperança, que desfaz qualquer determinismo e, a quantos se deixam tocar por ela, dá a liberdade e a audácia necessárias para se levantar e procurar, criativamente, todas as formas possíveis de viver a compaixão, «sacramental» da proximidade de Deus para connosco que não abandona ninguém na beira da estrada. Neste tempo de pandemia, perante a tentação de mascarar e justificar a indiferença e a apatia em nome dum sadio distanciamento social, é urgente a missão da compaixão, capaz de fazer da distância necessária um lugar de encontro, cuidado e promoção. «O que vimos e ouvimos» (At 4, 20), a misericórdia com que fomos tratados, transforma-se no ponto de referimento e credibilidade que nos permite recuperar e partilhar a paixão por criar «uma comunidade de pertença e solidariedade, à qual saibamos destinar tempo, esforço e bens» (Francisco, Carta enc. Fratelli tutti, 36). É a sua Palavra que diariamente nos redime e salva das desculpas que levam a fechar-nos no mais vil dos ceticismos: «Tanto faz; nada mudará!» Pois, à pergunta «para que hei de privar-me das minhas seguranças, comodidades e prazeres, se não vou ver qualquer resultado importante», a resposta é sempre a mesma: «Jesus Cristo triunfou sobre o pecado e a morte e possui todo o poder. Jesus Cristo vive verdadeiramente» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 275) e, também a nós, nos quer vivos, fraternos e capazes de acolher e partilhar esta esperança. No contexto atual, há urgente necessidade de missionários de esperança que, ungidos pelo Senhor, sejam capazes de lembrar profeticamente que ninguém se salva sozinho.

Como os apóstolos e os primeiros cristãos, também nós exclamamos com todas as nossas forças: «não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos» (At 4, 20). Tudo o que recebemos, tudo aquilo que o Senhor nos tem concedido, ofereceu-no-lo para o pormos a render doando-o gratuitamente aos outros. Como os apóstolos que viram, ouviram e tocaram a salvação de Jesus (cf. 1 Jo 1, 1-4), também nós, hoje, podemos tocar a carne sofredora e gloriosa de Cristo na história de cada dia e encontrar coragem para partilhar com todos um destino de esperança, esse traço indubitável que provém de saber que estamos acompanhados pelo Senhor. Como cristãos, não podemos reservar o Senhor para nós mesmos: a missão evangelizadora da Igreja exprime a sua valência integral e pública na transformação do mundo e na salvaguarda da criação.

Um convite a cada um de nós

O tema do Dia Mundial das Missões deste ano – «não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos» (At 4, 20) – é um convite dirigido a cada um de nós para cuidar e dar a conhecer aquilo que tem no coração. Esta missão é, e sempre foi, a identidade da Igreja: «ela existe para evangelizar» (São Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 14). No isolamento pessoal ou fechando-se em pequenos grupos, a nossa vida de fé esmorece, perde profecia e capacidade de encanto e gratidão; por sua própria dinâmica, exige uma abertura crescente, capaz de alcançar e abraçar a todos. Atraídos pelo Senhor e a vida nova que oferecia, os primeiros cristãos, em vez de cederem à tentação de se fechar numa elite, foram ao encontro dos povos para testemunhar o que viram e ouviram: o Reino de Deus está próximo. Fizeram-no com a generosidade, gratidão e nobreza próprias das pessoas que semeiam, sabendo que outros comerão o fruto da sua dedicação e sacrifício. Por isso apraz-me pensar que «mesmo os mais frágeis, limitados e feridos podem [ser missionários] à sua maneira, porque sempre devemos permitir que o bem seja comunicado, embora coexista com muitas fragilidades» (Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit, 239).

No Dia Mundial das Missões que se celebra anualmente no penúltimo domingo de outubro, recordamos com gratidão todas as pessoas, cujo testemunho de vida nos ajuda a renovar o nosso compromisso batismal de ser apóstolos generosos e jubilosos do Evangelho. Lembramos especialmente aqueles que foram capazes de partir, deixar terra e família para que o Evangelho pudesse atingir sem demora e sem medo aqueles ângulos de aldeias e cidades onde tantas vidas estão sedentas de bênção.

Contemplar o seu testemunho missionário impele-nos a ser corajosos e a pedir, com insistência, «ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe» (Lc 10, 2), cientes de que a vocação para a missão não é algo do passado nem uma recordação romântica de outrora. Hoje, Jesus precisa de corações que sejam capazes de viver a vocação como uma verdadeira história de amor, que os faça sair para as periferias do mundo e tornar-se mensageiros e instrumentos de compaixão. E esta chamada, fá-la a todos nós, embora não da mesma forma. Lembremo-nos que existem periferias que estão perto de nós, no centro duma cidade ou na própria família. Há também um aspeto da abertura universal do amor que não é geográfico, mas existencial. Sempre, mas especialmente nestes tempos de pandemia, é importante aumentar a capacidade diária de alargar os nossos círculos, chegar àqueles que, espontaneamente, não sentiria como parte do «meu mundo de interesses», embora estejam perto de nós (cf. Francisco, Carta enc. Fratelli tutti, 97). Viver a missão é aventurar-se no cultivo dos mesmos sentimentos de Cristo Jesus e, com Ele, acreditar que a pessoa ao meu lado é também meu irmão, minha irmã. Que o seu amor de compaixão desperte também o nosso e, a todos, nos torne discípulos missionários.

Maria, a primeira discípula missionária, faça crescer em todos os batizados o desejo de ser sal e luz nas nossas terras (cf. Mt 5, 13-14).

Roma, em São João de Latrão, na Solenidade da Epifania do Senhor, 6 de janeiro de 2021.

Francisco

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Vocês, consagradas

“Vocês, consagradas, são uma presença insubstituível na grande comunidade a caminho que é a Igreja. Eu gosto de pensar que vocês consagradas são uma extensão da presença feminina que caminhava com Jesus e os Doze, partilhando a missão e dando sua contribuição particular”, disse hoje, 11 de Out, o papa Francisco durante uma audiência no Vaticano.

A Comunidade Emanuel reúne todos os estados de vida (solteiros, casais, consagrados no celibato pelo Reino, padres), entre os quais várias centenas de consagradas no celibato pelo Reino. A viver em Portugal, temos atualmente 4, todas mulheres: a Ana, a Maria Helena, a Maria José e a Sílvia.

Porfsweb

Jovens: 9 Out – Saturday Night Fever

E aqui está o tão esperado encontro de 9 de Outubro!
Será presencial em Lisboa (igreja de São Jorge de Arroios) e em Coimbra (CASA) ou via zoom caso estejas longe de um dos sítios!
Não percas!
Desafia-te e convida amigos!!
Bora lá!
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Porfsweb

A Eucaristia, um Pentecostes contínuo

A Eucaristia é um lugar usual para a efusão do Espírito Santo. É o que Jean-Luc Moens procurou explicar durante a sua intervenção no Congresso Eucarístico Mundial, que aconteceu de 5 a 12 de setembro de 2021 em Budapeste. Veja o vídeo e o texto de seu ensinamento.

O Congresso Eucarístico Mundial

O 52º Congresso Eucarístico Internacional aconteceu de 5 a 12 de setembro de 2021 em Budapeste, Hungria. 
Esta semana de celebração, com as suas conferências, missas, adorações eucarísticas e procissões, bem como diversas atividades espirituais e culturais, visa aprofundar o conhecimento e a veneração da Eucaristia, tesouro precioso da fé cristã. 
Este congresso é “um ato de reflexão e de devoção. 
Trata-se de falar da Eucaristia, de compreender o que está em jogo da Eucaristia na sociedade contemporânea e, ao mesmo tempo, de manifestar, pela celebração eucarística e pela procissão, a devoção à hóstia. Consagrada ”, explica Christian Sorrel, membro do Pontifício Comitê para as Ciências Históricas.
Canal de vídeo do Congresso Eucarístico Internacional

A Eucaristia é um Pentecostes contínuo onde o Espírito Santo enviado pelo Pai realiza o milagre da transubstanciação, a transformação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo. Quando nos comunicamos , diz São João Paulo II, “Cristo também nos comunica o seu Espírito” ( Ecclesia de Eucharistia, § 17). Quando comemos o Corpo de Cristo, confirma Santo Efrém, comemos o Espírito Santo com ele. Cada Eucaristia é, portanto, uma efusão do Espírito Santo. É importante descobri-lo para poder vivê-lo plenamente e, na fé, deixar-nos transformar pelo Espírito. Se, como dizia São Serafim de Sarov, “a verdadeira meta da vida cristã consiste em adquirir o Espírito Santo de Deus”, então a Eucaristia é um lugar privilegiado para cumprir a nossa vocação.

1. Não há sacramentos sem o Espírito Santo

Para começar esta encruzilhada na Eucaristia e no Espírito Santo, parece-me importante sublinhar que o Espírito Santo está agindo em todos os sacramentos. Estes são os meios usuais imaginados por Deus desde toda a eternidade para nos encher com seu Espírito – o Espírito que nos purifica e deifica. O sinal que a liturgia nos dá desta ação do Espírito Santo nos sacramentos é o que se chama epiclese (do grego klesis -appel et épi-on: invocar o Espírito Santo em …). Cada sacramento tem uma ou mais epicleses, muitas vezes acompanhadas da imposição das mãos, que lembra o gesto que Jesus fez quando rezou pelos enfermos. Esta imposição de mãos é claramente visível durante uma confirmação ou ordenação – diaconal, presbiteral ou episcopal. Também existe, mais discretamente, no batismo, na confissão, no casamento ou no sacramento dos enfermos. Por exemplo, antes de dar a absolvição a uma pessoa que confessa, o sacerdote estende a mão sobre a cabeça para mostrar claramente que a purificação de seu coração acontecerá por uma nova descida do Espírito. Da mesma forma, depois de testemunhar seu compromisso final,

No caso da Eucaristia, existem várias epicleses.

2. Eucaristia e Espírito Santo

A primeira epiclese da Eucaristia

Para ilustrar a primeira epiclese da Eucaristia, gostaria de mostrar a vocês um pequeno vídeo feito em Lourdes no dia 7 de novembro de 1999. Foi durante uma missa presidida pelo Bispo Billé, então presidente da Conferência Episcopal Francesa. Os concelebrantes foram o cardeal Lustiger e o bispo Eyt, assim como todos os bispos franceses.

Você verá isso no momento da primeira epiclese, ou seja, quando o Bispo Billé disse “santifica estas ofertas derramando o teu Espírito sobre elas”. Que se tornem para nós o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo nosso Senhor ”(Oração Eucarística II): a hóstia se levanta e começa a levitar. Podemos vê-lo subindo alguns centímetros acima da patena. Ela fica assim por longos minutos. As imagens não são falsas, os cinegrafistas afirmam ter filmado o fenômeno!

Projeção de vídeo:

O que acabamos de ver neste pequeno vídeo não está listado como um milagre eucarístico, porque a Igreja não se pronunciou oficialmente sobre este fenômeno. Mas ainda podemos interpretar o que vimos como um sinal. É o sinal da presença do Espírito no momento da primeira epiclese da Missa, quando o celebrante diz, impondo as mãos sobre o pão e o vinho: “Santifica estas ofertas, derramando o teu Espírito sobre elas”. É o Espírito Santo enviado pelo Pai que realiza o milagre da transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus. É interessante notar que, para os orientais, a transubstanciação ocorre precisamente durante esta epiclese, enquanto para a liturgia latina é antes no momento em que o sacerdote pronuncia as palavras de Cristo: “Este é o meu corpo” e “Este é meu sangue ” .

A segunda epiclese da Eucaristia: uma oferta de glória

Há também, em cada Eucaristia, uma segunda epiclese menos visível porque não é acompanhada por um gesto do sacerdote como é a primeira em que ele coloca as mãos sobre o pão e o vinho. Aqui está, por exemplo, a dupla epiclese da Oração Eucarística III:

Quando formos nutridos com seu corpo e seu sangue e cheios do Espírito Santo, conceda-nos ser um corpo e um espírito em Cristo. Que o Espírito Santo nos faça uma oferta eterna para sua glória.

A obra do Espírito Santo é criar comunhão, a unidade do Corpo Místico da Igreja, para nos tornar um só corpo. Ele também nos dá a possibilidade de nos oferecermos ao Pai como sacrifício de ação de graças de Jesus, com ele e nele, como proclamado pela Doxologia final, para nos tornarmos uma oferenda eterna de glória, que se realizará plenamente no céu. Em cada Eucaristia, o Espírito Santo, portanto, dá-nos um antegozo do céu, unindo-nos e permitindo-nos ser oferendas para a glória do Pai.

Não sei se estamos suficientemente cientes desta obra de unidade e comunhão que o Espírito Santo realiza em cada Eucaristia. Em nossa sociedade individualista, talvez tenhamos a tendência de viver a Eucaristia de uma maneira muito exclusivamente individual: “meu” Jesus e eu. O relacionamento pessoal que podemos ter com Jesus é obviamente desejável e bom. Porém, às vezes estamos tão focados no fato de que Jesus se vai doar a nós em seu Corpo e em seu Sangue, que podemos esquecer que ele se doa também a outros que participam conosco da Eucaristia.

Sugiro que você tenha uma pequena experiência simples na próxima Eucaristia da qual participará. Em um determinado momento, por exemplo, no beijo ou no sinal da paz, olhe para as pessoas ao seu redor enquanto faz esta oração:

“Senhor Espírito Santo, tu estás a fazer de todos nós, todas as pessoas que participam nesta Eucaristia, um só corpo para a tua glória! Você nos reúne aqui para experimentar um antegozo do céu em comunhão. Lá nos encontraremos novamente e este momento de comunhão que vivemos hoje nesta Eucaristia será levado à sua perfeição para a eternidade. Glória a você pelo seu trabalho em todos nós! “

Presença ativa do Espírito Santo

A Eucaristia é, portanto, um dos lugares por excelência onde o Espírito Santo está presente e ativo. Vários místicos experimentaram fortemente a presença do fogo do Espírito no sacramento da Eucaristia. Assim, por exemplo, durante a Eucaristia, Catarina de Sena, doutora da Igreja, viu o altar rodeado de chamas como as da sarça ardente e, no meio do fogo, o Espírito Santo em forma de pomba. Quando ela recebeu a comunhão, o anfitrião pareceu-lhe ser um carvão em brasa que entrou nela como uma faísca de fogo. Esta visão de Catarina confirma as afirmações de dois outros doutores da Igreja, São João Crisóstomo e São João Damasceno.

“Não é o sacerdote que faz alguma coisa, mas é a graça do Espírito que brota nele, o cobre com as suas asas e realiza o sacrifício místico.”

“Você pergunta como o pão se torna Corpo de Cristo, e o vinho […] Sangue de Cristo? Digo-vos: o Espírito Santo irrompe e realiza aquilo que ultrapassa todas as palavras e todos os pensamentos […]. Basta-vos ouvir que foi pelo Espírito Santo, assim como foi da Santíssima Virgem e do Espírito Santo que o Senhor, por si e em si, assumiu a carne [3] . “

A analogia que João Damasceno faz é interessante: assim como o Espírito Santo engendrou o corpo do Unigênito no seio de Maria, ele transforma o pão no Corpo de Cristo e o vinho no seu Sangue. Eles são dois mistérios comparáveis. A diferença é que a primeira só aconteceu uma vez, a segunda acontece todos os dias em todos os altares do mundo.

A Eucaristia é, portanto, um dos lugares onde o Espírito Santo atua com força e, portanto, também um lugar privilegiado para receber cada vez mais o seu fogo, para renovar na fé o dom que recebemos no baptismo e na confirmação. Podemos dizer que a Eucaristia é um Pentecostes permanente, um lugar onde não só acolhemos Jesus que se doa a nós, mas também o seu Espírito Santo que o acompanha. São João Paulo II insiste neste ponto na encíclica Ecclesia de Eucharistia  :

“Pela comunhão com o seu corpo e com o seu sangue, Cristo também nos comunica o seu Espírito . Santo Efrém escreve: “Ele chamou o pão de seu corpo vivo, ele o encheu de si mesmo e de seu Espírito . […] E quem come com fé, come do Fogo e do Espírito […]. Pegue-o, todos comam e comam o Espírito Santo com ele. É realmente meu corpo e quem o comer viverá para sempre. “Na epiclese eucarística, a Igreja pede este dom divino, fonte de todos os outros dons. Lemos, por exemplo, na Divina Liturgia de São João Crisóstomo: “Nós te invocamos, te pedimos e te pedimos: envia teu Espírito Santo sobre todos nós e sobre estes dons, […] para que aqueles que take it share obtenha a purificação da alma, a remissão dos pecados e o dom do Espírito Santo. ”E no Missal Romano o celebrante pergunta:“ Quando formos nutridos com seu corpo e seu sangue e cheios do Espírito Santo, concede-nos ser um só corpo e um só espírito em Cristo. ”Assim, pelo dom do seu corpo e do seu sangue, Cristo faz aumentar em nós o dom do seu Espírito., já recebido no Baptismo e oferecido como “selo” no sacramento da Confirmação . “

Permitam-me sublinhar esta afirmação de São João Paulo II: quem come do corpo de Cristo também come do Espírito Santo. Jesus não vem nos visitar sozinho. Ele vem acompanhado do Espírito Santo. Cada comunhão é uma efusão do Espírito Santo. Cada Eucaristia é um Pentecostes! Ao receber o corpo de Cristo, também recebemos seu Espírito. Poucos cristãos, parece-me, estão cientes disso. Muitos de nós focamos no dom do Corpo e Sangue de Jesus. Eles não estão errados, é claro. Mas não devemos esquecer o Espírito Santo que é dado ao mesmo tempo. É dado, mas também devemos recebê-lo! Parece-me que na comunhão e na ação de graças que se segue, seria fecundo orar também ao Espírito Santo, para lhe dar lugar no coração, para nos deixar transformar por ele.

3. Nossa participação na obra da graça

Acabo de desenvolver a beleza da Eucaristia e a obra do Espírito Santo nela. Podemos nos perguntar: por que tantos batizados não são sensíveis a este dom, a esta graça extraordinária que é a Eucaristia? Sabemos que a porcentagem de cristãos praticantes entre os batizados é muito baixa. Antes, definíamos os praticantes como aqueles que iam à missa todos os domingos. Agora, chamamos de praticantes aqueles que vão à missa regularmente, por exemplo, uma vez por mês … Com a pandemia de Covid 19, também há uma erosão do último quadrado de praticantes. Na minha paróquia, que é uma paróquia dinâmica com muitas famílias jovens, os padres estão sofrendo. Um deles me confidenciou que, com o bloqueio, as pessoas se acostumaram a assistir à missa dominical pela internet;

Como explicar este desinteresse de tantos cristãos pelo maravilhoso dom que Jesus lhes deu da Eucaristia?

Para responder a essa pergunta, gostaria de destacar duas coisas:

  • Lembre-se da doutrina católica sobre os sacramentos;
  • A necessidade de se abrir mais ao Espírito Santo.

Lembrete sobre os sacramentos

Os sacramentos não são ritos mágicos que atuariam automaticamente sem a colaboração de quem os recebe. Para serem plenamente eficazes, os sacramentos requerem nossa colaboração, nossa abertura, nossa participação. É, portanto, uma sinergia entre a onipotência de Deus e nossa liberdade humana.

É por isso que a teologia sacramental distingue entre a ação de Deus e a resposta do homem. A ação de Deus é chamada opus operatum , a ação realizada, e o que depende da liberdade do homem é chamada opus operantis , a ação a ser realizada. O CEC explica no número 1128  :

Os sacramentos agem ex opere operato (literalmente: “pelo próprio fato de que a ação é realizada”), isto é, em virtude da obra salvífica de Cristo, realizada de uma vez por todas. Segue-se que “o sacramento não é realizado pela justiça de quem o dá ou recebe, mas pelo poder de Deus” (S. Thomas d’A., S. Th. 3, 68, 8). […] Porém, os frutos dos sacramentos também dependem das disposições de quem os recebe.

Por exemplo, se uma pessoa recebe o sacramento do casamento ou ordem enquanto está em pecado mortal, ela não pode receber nenhuma graça desses sacramentos. Mas se ela se converte, se ela confessa, então os sacramentos recebidos são reativados, podem ser implantados sem obstáculos e trazer as graças que contêm porque Deus é fiel e não retira seus dons. Este exemplo mostra claramente que a eficácia dos sacramentos depende de quem a recebe, embora Deus sempre atue plenamente no sacramento.

Também no batismo a participação ativa do destinatário do sacramento desempenha um papel. Para as crianças pequenas, é a fé dos pais, padrinhos e madrinhas que permite que o sacramento se realize plenamente. É assim que, no baptismo, a criança é salva do pecado original, recebe o dom das virtudes teológicas (fé, esperança e caridade) e torna-se filho de Deus. Isso é alcançado por meio da ação eficaz do Espírito Santo. Mas é claro que a criança terá que se apropriar dos dons recebidos, principalmente por meio de sua fé pessoal. É por isso que o batismo é considerado um sacramento “vinculado”, no sentido de que seu fruto pode não ser plenamente experimentado pelo batizado. Mas cabe a ele pedir a graça de liberar totalmente os dons recebidos para viver plenamente desde o seu batismo.

É o mesmo na Eucaristia. Durante a primeira epiclese, a transformação realizada pelo Espírito Santo do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus Cristo não depende da santidade do sacerdote nem da resposta dos fiéis que dela participam. É a obra de Deus. A hóstia consagrada e o vinho são de fato o Corpo e o Sangue de Cristo, independentemente da fé da assembléia. Por outro lado, o cumprimento da segunda epiclese depende do coração dos fiéis que participam da Eucaristia. Eles estão prontos para se oferecer para se tornarem um só corpo e uma oferta eterna para a glória do Pai?

A questão, portanto, diz respeito à recepção que os fiéis farão do dom que o Espírito Santo lhes concede na Eucaristia. É por isso que São Paulo nos avisa:

Portanto, quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente terá que responder pelo corpo e pelo sangue do Senhor. Que cada um, portanto, teste a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice; pois aquele que come e bebe, come e bebe sua própria condenação, a menos que discerne o Corpo. (1 Cor 11, 27-29)

As palavras de Paulo são muito fortes! Se participamos da Eucaristia indignamente, por exemplo em estado de pecado mortal ou sem ter fé na presença real (discernindo o Corpo … de Cristo), comemos e bebemos nossa própria condenação.

Não quero assustá-lo com estas palavras de Paulo, nem torná-lo escrupuloso a ponto de hesitar em receber o dom da Eucaristia. Jesus arde sempre com o desejo de doar-se a nós na sua Eucaristia e sabe que somos fracos e pecadores. Só quero salientar que nossa liberdade está envolvida em como O recebemos. E sempre há espaço para melhorias nessa área. Um dos meios à nossa disposição é nos abrirmos mais ao Espírito Santo. Como a Eucaristia é obra do Espírito Santo, também é ele quem pode ajudar-nos a participar dela cada vez mais dignamente. Este é meu próximo ponto.

Abra-se para o Espírito Santo

Estou convencido de que, se muitos cristãos não perceberam a extraordinária beleza da Eucaristia, é porque também não descobriram o Espírito Santo como pessoa ativa em suas vidas. Posso testemunhar que, pela minha parte, foi esta descoberta que me tornou um amante da Eucaristia que quero viver todos os dias e não apenas aos domingos.

Nasci em uma família cristã, pelo menos minha mãe era uma praticante convicta. Ela me ensinou a orar. Ela me levava à missa todos os domingos. Eu fui para uma escola católica cujo diretor, um santo sacerdote, era um amante do Espírito Santo. Foi ele quem me preparou para o sacramento da confirmação.

Portanto, sempre fui um cristão praticante, mas durante minha adolescência tive muitas perguntas sobre a existência de Deus e sobre Jesus. Isso não me impediu de continuar a ir à missa todos os domingos, o que – creio eu – foi uma grande graça.

Quando conheci aquela que se tornaria minha esposa, ela me levou para sua paróquia e foi lá que descobri a Renovação Carismática, que estava no seu início. Depois de muita resistência, decidi pedir a oração pelo batismo no Espírito que também é chamado de derramamento do Espírito. É uma experiência que consiste em viver plenamente as graças do próprio baptismo. Em muitos casos, não vivemos plenamente as graças recebidas em nosso batismo. É como se tivéssemos uma magnífica adega, mas nunca descêssemos para beber as garrafas. O Baptismo no Espírito consiste em descer à sua adega e começar a beber as garrafas, ou seja, viver plenamente os dons que recebemos no nosso baptismo e deixar-nos guiar de uma nova forma pelo Espírito Santo.

Depois de receber esse derramamento do Espírito, minha vida começou a mudar aos poucos. Em primeiro lugar, Jesus se tornou uma pessoa viva em minha vida. Eu queria ouvi-lo, falar com ele, orar para ele. De repente, a Bíblia – a Palavra de Deus – tornou-se central em minha vida. Com tudo isso, os sacramentos se tornaram verdadeiramente fontes vitais para mim. Como é o Espírito Santo quem atua nos sacramentos, e especialmente como vimos na Eucaristia, não é de estranhar que, ao me abrirem mais a este Espírito, os sacramentos tenham mudado. Cor: tornaram-se para mim verdadeiros locais de encontro com o Cristo Ressuscitado. Esta é a obra do Espírito Santo.

Digo-vos este testemunho porque estou convencido de que a chave para a verdadeira devoção eucarística é a abertura ao Espírito Santo. É o Espírito Santo que atua na Eucaristia, é ele – como vimos – quem transforma o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo. É lógico pensar que também é ele quem pode nos ajudar a descobrir todas as riquezas ocultas.

Não pense que estou absolutizando a experiência pessoal. Somos 120 milhões de católicos que fizeram esta experiência de batismo no Espírito. Nosso Papa Francisco também descobriu esta graça. Ele repetidamente pediu àqueles que tiveram essa experiência que a compartilhassem com a Igreja. Aqui está um exemplo desse pedido que ele fez na véspera de Pentecostes de 2019 ao lançar CHARIS, o novo serviço que ele queria para a Renovação Carismática Católica:

Você me pediu para dizer o que o Papa e a Igreja esperam deste novo serviço, de CHARIS e de toda a Renovação Carismática. […] O que o Papa espera de você: que este movimento compartilhe o batismo no Espírito com todos na Igreja . É a graça que você recebeu. Compartilhe! Não guarde isso para você! (8 de junho de 2019)

Mais recentemente, o Cardeal Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia e assistente eclesiástico de CHARIS, comentou este pedido do Papa perante toda a Cúria Romana. Ele disse [8]  :

Uma das formas pelas quais o Espírito se manifesta hoje fora dos canais institucionais da graça é chamada de “Batismo no Espírito”. Menciono isso aqui sem qualquer intenção de proselitismo, mas em resposta à exortação que o Papa Francisco freqüentemente dirige a todos aqueles da Renovação Carismática Católica para compartilhar com todo o povo de Deus esta “corrente de graça” em que vivemos. O Batismo do Espírito.

A expressão “Batismo no Espírito” vem do próprio Jesus. Referindo-se ao próximo Pentecostes, antes de subir ao céu, ele disse aos seus apóstolos: “Enquanto João batizava com água, vós, é no Espírito Santo que em breve sereis batizados. De dias” (Atos 1: 5). É um rito que não é esotérico, mas consiste em gestos de grande simplicidade, calma e alegria, acompanhados de atitudes de humildade, arrependimento, disponibilidade para se tornarem filhos.

É uma renovação e uma atualização não só do batismo e da confirmação, mas de toda a vida cristã: para os esposos, do sacramento do matrimônio; para os sacerdotes, de sua ordenação sacerdotal; para as pessoas consagradas, da sua profissão religiosa. O interessado prepara-se para isso, além de uma boa confissão, participando nas reuniões catequéticas, durante as quais é recolocado em contato vivo e alegre com as principais verdades e realidades da fé: o amor de Deus, o pecado, a salvação, vida nova, transformação em Cristo, carismas, frutos do Espírito. O fruto mais frequente e importante é a descoberta do que significa ter “uma relação pessoal” com Jesus ressuscitado e vivo.

Veja, esta experiência é simples e aberta a todos

  • Qualquer que seja o nosso estado de vida, casado, celibatário, religioso ou sacerdote,
  • Qualquer que seja a situação de nossa vida espiritual, inicial ou mais avançada,
  • Seja qual for a nossa idade, jovem ou velho …

Por que o Papa Francisco deseja que o maior número possível de pessoas batizadas receba o batismo no Espírito? É porque compreendeu que esta experiência leva quem a fez a viver a sua vida cristã de uma forma mais empenhada, plena, mais disponível à acção do Espírito Santo na sua vida quotidiana. É simplesmente uma questão de viver plenamente as graças recebidas no nosso batismo: de pedir ao Espírito Santo que desamarre o que ainda está vinculado neste sacramento. E esse é o sonho do Papa para cada um de nós: que sejamos cristãos plenamente realizados!

O Cardeal Cantalamessa ousou convidar toda a Cúria Romana a fazer esta experiência, a receber esta efusão do Espírito:

O “batismo no Espírito” provou ser uma maneira simples e poderosa de renovar a vida de milhões de crentes em quase todas as igrejas cristãs. Já não podemos contar o número de pessoas que eram cristãs apenas no nome e que, graças a esta experiência, se tornaram cristãs de facto, dedicadas à oração de louvor e aos sacramentos, ativas na evangelização e prontas a assumir tarefas pastorais no freguesia. Uma verdadeira conversão da mornidão ao fervor! Você teria que dizer a si mesmo o que Agostinho repetia para si mesmo, quase indignado, ouvindo as histórias de homens e mulheres que, em seu tempo, abandonaram o mundo para se dedicarem a Deus: “  Si isti et istae, cur non ego? … ” Se sim, por que não eu também?

Por que não eu ?

Por que eu não pediria ao Espírito Santo para ocupar mais lugar em minha vida, para me iluminar, para me guiar, para me ajudar?

São Serafim de Sarov, um santo ortodoxo, disse: “O verdadeiro objetivo da vida cristã é a aquisição do Espírito Santo de Deus. É um trabalho para toda a vida. O dom de Deus nunca se esgota. Deus sempre quer se dar mais. Qualquer que seja o estágio que tenhamos alcançado em nossa vida espiritual, o Espírito Santo ainda não terminou sua obra; ele quer se entregar a nós sem limites. E nós, estamos prontos para recebê-lo, para deixá-lo fazer isso, para sermos queimados, consumidos pelo seu amor?

4. A Eucaristia, um Pentecostes contínuo

Se quisermos crescer no conhecimento do Espírito Santo, se quisermos recebê-lo cada vez mais, podemos pedir para experimentar o batismo no Espírito de que fala o Cardeal Raniero Cantalamessa, aproximando-se de um grupo de oração da Renovação Carismática. Mas também há um lugar especialmente indicado para viver este novo Pentecostes pessoal: a Eucaristia!

Como disse no início desta intervenção, a Eucaristia é um Pentecostes contínuo, um lugar privilegiado para a ação do Espírito Santo. Então, por que não decidir agora viver conscientemente todas as nossas Eucaristias como efusão do Espírito Santo? Em cada Eucaristia, estão reunidas todas as condições para fazer esta experiência:

  • Conversão pessoal com a confissão dos pecados no início da Missa: humildemente pedimos perdão ao Senhor por todas as nossas faltas, nossas recusas de amor;
  • Ouvir a Palavra onde podemos nos deixar ser ensinados pelo Senhor;
  • A nossa oferta: no ofertório, podemos exercer o nosso sacerdócio baptismal, oferecendo  «as nossas pessoas como hóstias vivas, santas e agradáveis ​​a Deus» (Rm 12,1);
  • No momento da epiclese, pede ao Espírito Santo que desça também sobre nós ao mesmo tempo que “santifica as ofertas” (Oração Eucarística II). Que ele nos santifique, nos transforme, nos permita arder de amor, porque ele é Amor.
  • Na hora da comunhão, para receber o Corpo de Cristo no qual o Espírito resplandece, ou, como dizia Santo Efrém, para comer o Espírito Santo. Aqui, o agradecimento silencioso é muito importante; permite-nos dar tempo à graça para que se desenvolva em nós e dê todos os frutos que podemos esperar da nossa participação na Eucaristia.

Sugiro que agora você viva cada Eucaristia desta forma, em total disponibilidade ao Espírito Santo. Que cada Eucaristia se torne para você um novo Pentecostes pessoal. Posso dizer-lhe que isso vai agradar a Jesus, que ansiava por nos dar o seu Espírito Santo. Mas também transformará o seu modo de viver a comunhão eucarística: o Espírito Santo vai ensiná-lo a receber Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem que vem visitar-vos.

As coisas não vão acabar aí. Se você viver cada Eucaristia como um novo Pentecostes, toda a sua vida mudará. Você verá a ação do Espírito Santo se desdobrar com força em sua vida para alcançar a meta que o Senhor nos propõe: a santidade.

“Seguindo o exemplo do Santo que te chamou, também tu te tornas santo em toda a tua conduta, como está escrito: ‘Sereis santo, porque eu sou santo.’ » (1 P 1, 15-16).

O Espírito Santo é santo e é ele quem faz os santos! Deixemo-nos ser feitos por ele para levar alegria ao pai.