Arquivo da categoria Comunidade Emanuel

Porfsweb

O seu nome será Emanuel, Deus-connosco.

Chamamo-nos Comunidade (do) Emanuel.
E isso não é um acaso bonito para encaixar num logótipo.

É uma escolha exigente.
Um nome que nos compromete.

Antes de sermos “Comunidade Emanuel”, fomos Communauté de l’Emmanuel.
E em França dizem-no ainda com mais simplicidade: “l’Emmanuel”.

Quase como quem fala de alguém próximo.
Não um conceito.
Não uma ideia teológica.
Mas uma presença.

E talvez aí esteja tudo.
Porque Emanuel não é um título bonito para Jesus.
É uma maneira de Deus existir.
É Deus que decide não ficar de fora.
Que não observa à distância.
Que não se limita a enviar instruções.

“A Virgem conceberá e dará à luz um filho e chamar-lhe-ão Emanuel”.
Deus-connosco.
Não Deus-apesar-de-nós.
Não Deus-quando-merecemos.
Mas Deus que entra na história tal como ela é.

E se este é o nome que trazemos…
então esta é também a nossa vocação.

Ser Comunidade Emanuel não é organizar encontros.
Não é ter carismas, missões, estatutos ou projetos.
Tudo isso pode ajudar.
Mas não é o essencial.

O essencial é isto: somos chamados a ser sinal de que Deus está connosco.
Connosco — quando rezamos e quando nos cansamos.
Connosco — quando acreditamos e quando duvidamos.
Connosco — quando falhamos uns com os outros
e mesmo assim escolhemos permanecer.

Em França dizem “l’Emmanuel” quase como quem diz um nome próprio.
E talvez seja esse o desafio: que quem nos encontre não veja uma “comunidade religiosa”, mas reconheça uma presença.

Não pessoas perfeitas,
mas pessoas habitadas.
Não gente que tem todas as respostas,
mas gente que caminha com os outros.

Porque Emanuel nasce no silêncio,
num sonho de José,
num “sim” dito sem garantias.

E continua a nascer hoje
quando uma comunidade escolhe estar com, e não acima, nem ao lado, nem de longe.

Se nos chamamos Emanuel,
então não podemos viver como se Deus estivesse ausente.
Nem como se os outros fossem um problema.

Chamamo-nos Emanuel porque acreditamos que Deus ainda escolhe ficar.
E que quer fazê-lo… através de nós.

A pergunta não é se somos dignos desse nome.
Nunca fomos.
A pergunta é outra:
estamos dispostos a vivê-lo?

Um santo e paciente Advento.
Marta e Paulo Farinha Silva

Porfsweb

Amor & Verdade

O que é o Percurso Amor & Verdade?

O Percurso Amor & Verdade é um caminho pensado para ajudar casais a fortalecer o seu amor e a redescobrir a beleza da vida a dois. Cada encontro é preparado com cuidado e oferece a oportunidade de parar, conversar, refletir e reencontrar a alegria de caminhar juntos.

Não se trata de uma palestra teórica, nem de um curso abstrato. É um percurso prático, real, com temas que tocam o quotidiano de qualquer casal: comunicação, perdão, equilíbrio entre trabalho e família, educação dos filhos, sexualidade, espiritualidade e tantos outros.

Porque acreditamos neste percurso

Sabemos bem como a vida pode ser exigente: trabalho, filhos, responsabilidades, falta de tempo para conversas verdadeiras… Muitas vezes vivemos em “modo automático” e deixamos o essencial para trás — cuidar da relação.

Para milhares de casais, este percurso foi uma oportunidade de abrandar, de se escutarem de verdade e de olhar para o seu casamento com esperança renovada.

Um ambiente simples, seguro e acolhedor

Os encontros acontecem online, via Zoom, num ambiente descontraído e acolhedor. Há sempre tempo para ouvir uma pequena partilha, refletir a dois e conversar sem pressas.

Não é preciso saber nada de especial, nem ser um “casal perfeito”. Cada um chega como está. É um espaço seguro, discreto e respeitador.

E mesmo quem não costuma praticar a fé encontra aqui um lugar aberto e amigável: fala-se de valores humanos e temas universais, deixando espaço para quem quiser descobrir que o amor também pode ter uma dimensão espiritual que fortalece nos momentos difíceis.

O que pode mudar na vossa relação

Ao longo do percurso, percebemos quanto vale a pena investir tempo no amor. Aprendemos formas práticas de comunicar melhor, resolver conflitos, perdoar e recomeçar. Descobrimos como dar prioridade à nossa relação, mesmo no meio do ritmo acelerado do dia-a-dia.

O mais bonito é que cada casal termina o encontro com pequenas decisões concretas, simples mas transformadoras, que podem renovar a relação.

O convite

Se sentem que precisam de cuidar da vossa relação, de ganhar novas forças ou simplesmente de redescobrir a alegria de estarem juntos, o Percurso Amor & Verdade pode ser uma grande ajuda. É um caminho pensado para todos os casais, em qualquer fase da vida.

Não esperem pelo “momento perfeito”.
O momento perfeito é agora — porque o amor merece ser cuidado.

Venham descobrir connosco este percurso. Pode ser um passo simples, mas capaz de transformar profundamente a vossa vida a dois.

Porfsweb

Missão Possível

Este percurso em 10 vídeos apresenta uma proposta clara e essencial: a missão cristã é simples, urgente e é para todas as pessoas, não como teoria, mas como movimento de encontro, partilha e proximidade.

A missão nasce sempre do mesmo núcleo: o amor de Deus que vê e acolhe cada pessoa individualmente. A partir daqui, todo o percurso caminha na direção do essencial, levando-nos para fora da indiferença e aproximando o olhar do coração do outro. Esta ideia dialoga com o legado da Evangelii Nuntiandi, onde se reforça que evangelizar é identidade e não tarefa acessória, e com a força renovadora da carta Evangelii Gaudium, que nos lembra que a missão deve ser expansiva, livre e cheia de alegria, com o primeiro passo dado na direção do outro, sem defesa automática nem esquemas complicados.

Ao longo dos 10 vídeos, desenvolve-se uma narrativa em 3 eixos centrais:

  1. A urgência da missão
    A missão cristã não pode ser adiada. A kénosis recorda-nos que a missão acontece quando nos desarmamos, deixamos de controlar tudo e nos colocamos numa atitude de humildade e verdade. Vivemos num mundo com muitas divisões culturais e ideológicas, onde o confronto tenta dominar as narrativas. Mas aqui a missão faz o contrário: deposita as armas, aproxima-se sem ameaçar, partilha sem absorver. Esta urgência não vem da ansiedade do fazer, mas da necessidade do ser: se a fé é fonte de felicidade profunda, a missão é a consequência natural dessa difusão. O bem não se fecha; espalha-se.
  2. A simplicidade do anúncio
    O percurso destaca repetidamente a metáfora do deserto e da sede: quem encontra uma fonte de água, não a esconde. Revela-a, partilha-a, aponta o caminho. Este princípio reflete-se na forma como Jesus falou à multidão quando disse que era preciso “dar de comer” – um gesto simples que se tornou salvação para todos os que O ouviam e um dever natural para quem recebe algo bom: amor gera partilha, não imposição.
    A palavra “tolerância” é aqui recuperada na sua raiz latina: tolerare – suportar, carregar com o outro, ser ponte, não parede. A missão cristã não é indiferença, nem relativismo, nem discurso vazio. É reconciliação real, cuidado concreto e partilha alegre do essencial, na liberdade e na confiança perenes.
  3. A partilha comunitária e sem barreiras
    A missão é para crentes, não crentes, pessoas com dúvidas, quem tem outra fé ou quem ainda não sabe nomear a sua. Este percurso mostra que a missão não absorve culturas nem ideologias; reconhece-as como rostos com história, singularidade e um “eu” próprio. A diferença é tratada como riqueza transformadora e não como ameaça.
    A missão parte de Deus, mas passa sempre pelo rosto do outro: é ali que a pergunta sobre Deus permanece viva e onde a revelação acontece com doçura. A missão não pertence a pessoas heroicas e inalcançáveis. É simples: do coração ao coração. Da vida real ao anúncio que liberta.

A missão em 10 vídeos

Vídeo 1: Porquê a missão, afinal?
Explora a razão interior da missão: amar e ser amado é desejo universal. Se o bem tem tendência a difundir-se, a missão é resposta natural a um amor recebido. É atravessar a indiferença em direção ao outro. A missão não começa num manual cheio de técnicas, mas numa pergunta humana e radical: “Que bem carregamos que não pode ficar guardado?”

Vídeo 2: Qual é o coração da mensagem?
Foca-se na ideia de que o centro da fé cristã é uma declaração antes de tudo relacional: “Deus é amor!” A missão não é ensinar fórmulas teológicas complicadas, mas comunicar a beleza de um amor incondicional que nunca exclui ninguém.

Vídeo 3: Como se faz a missão? Em diálogo.
Mostra que a missão é sempre um diálogo sincero entre culturas. Conceitos como pessoa→“Tu”, olhar transformado e encontro libertador realçam que falar de Deus implica escutar primeiro. O vídeo sublinha que um diálogo verdadeiro com outras visões do mundo não destrói a identidade — revela o essencial num novo idioma do quotidiano.

Vídeo 4: Com que espírito? Revolução da Misericórdia.
A missão cristã precisa do espírito da misericórdia, que não romantiza a história nem relativiza o mal, mas dá sempre um novo início. Vulnerabilidade é ponte; não fraqueza descartável.

Vídeo 5: É possível planear a missão? Sim, com exemplos concretos.
Apresenta 20 inspirações práticas de missionariedade provadas, especialmente em contextos europeus: rua aberta à diversidade, carta pessoal, oração como novo início, igrejas acessíveis sem barreiras, café como lugar de encontro espiritual, escolas como pontos altos de redescoberta da filiação, cuidar dos doentes e dos pobres, missão porta-a-porta como proximidade e não marketing, missa como festa comunitária, etc.

Vídeo 6: Como lidar com a história da missão?
Enfrenta sombras e luzes do passado, realçando a libertação de discursos condescendentes e a necessidade de humildade. Faz-nos questionar não “como trazer para dentro”, mas “como sair para encontrar”. Este vídeo dialoga com o pensamento de Emmanuel Levinas: só encontramos Deus no encontro verdadeiro com o outro.

Vídeo 7: O que há de novo?
Mostra o renascimento de escolas de fé e missão, a necessidade de grupos transformadores e o alicerce de um novo modelo de comunidade “aberta e enviadora”. Não isolada, mas ponte para reconciliação.

Vídeo 8: Como crescemos? Um passo de cada vez.
Crescimento não é acumular participantes, mas levar pessoas com histórias únicas a um diálogo contínuo, salutar e humano — que renova a igreja e a sociedade de forma interpessoal.

Vídeo 9: Quais são as nossas forças? Os charismes.
Realça a missão como vocação pessoal e comunitária. Todos têm algo infinitamente precioso e próprio a dar: empatia, escuta, transformação do olhar e a coragem discreta de partilhar aquilo que anima.

Vídeo 10: Que Igreja queremos? Uma comunidade sem muros, com pontes.
A missão constrói a comunidade que envia e que reúne. O vídeo mostra que a comunidade cristã deve ser refeita “em rosto humano”: livre, desconstruindo sistemas opressivos, denunciando sectarismos e populismos (sejam ideologias agressivas ou instrumentalização totalitária da religião), e levando o olhar para um lar com aceitação profunda e perdão. Este lar é Deus mesmo, presente no meio de todos os que se permitem um novo início.

Urgência e simplicidade

Este percurso sublinha que enquanto existirem pessoas abandonadas no “bordo da estrada”, a missão não pode descansar na auto-preservação, nos horários rígidos ou em linguagens que já não chegam às pessoas.

A missão cristã tem uma urgência decisiva:

  • Não é programa reservado ao “resto pequenino”, mas para todos — os que têm fé e os que ainda nem sabem nomear a pergunta sobre Deus.
  • Não é “absorver culturas”, mas reconhecê-las como “Tu”.
  • Não é método complicado; é sobre-abundância de amor.

Se por vezes a missão se tornou “impossível” por causa das feridas do passado, ela é hoje “mais possível do que nunca” se for radicada na humildade, no coração, na liberdade e na simplicidade que cada pessoa consegue compreender.

Porque se em palavras nos calamos, as pedras falarão, como lembrado no livro e ecoado no vídeo. E não podemos permitir que esse diálogo, que pertence à família humana inteira, grite sozinho sem que nós estejamos lá para oferecer a fonte de abrigo e amor que é Deus.

Esta missão é urgente, simples e começa hoje — do coração ao coração, no movimento da misericórdia que abre portas e constrói lares sem muros.

Porfsweb

SOS Oração por WhatsApp

O SOS Oração é um serviço simples e discreto oferecido pela Comunidade Emanuel em Portugal. Inspirado por iniciativas semelhantes já existentes noutros países, este serviço nasce do desejo de responder ao apelo de Jesus para cuidarmos uns dos outros através da oração. Em Portugal, tal como noutras comunidades, o objetivo é o mesmo: estar próximo de quem precisa de apoio espiritual. A grande diferença é o modo de contacto — aqui, tudo acontece de forma direta e acessível através de mensagens WhatsApp, tornando o pedido de oração rápido, prático e disponível para todos.

O serviço funciona de forma muito intuitiva. Qualquer pessoa que deseje pedir uma oração pode enviar uma mensagem para o número oficial do SOS Oração: basta enviar o pedido e este “será proposto a alguém que se disponibilizou para interceder por quem pedisse; receberá depois uma confirmação com o nome próprio de quem rezou por si” . Esta simplicidade é o coração do projeto: um gesto de confiança e proximidade entre irmãos, ainda que à distância.

Um dos aspetos deste serviço é a total gratuitidade, tal como descrito no cartão (“É gratuito? Claro que sim”). A oração é um dom e, como tal, nunca é cobrada nem condicionada. Além disso, existe um cuidado especial com a privacidade: quem envia um pedido de oração não fica registado em qualquer lista de contactos, nem recebe mensagens promocionais. Este compromisso pretende fortalecer a confiança e garantir que qualquer pessoa se sinta segura ao partilhar as suas intenções.

A motivação que sustenta este serviço é profundamente evangélica. A Comunidade Emanuel tem, no centro da sua missão, a evangelização e o acompanhamento espiritual. O SOS Oração é uma expressão concreta desta missão, oferecendo um espaço onde cada pessoa pode encontrar intercessão, consolo e esperança, mesmo que esteja sozinha, em sofrimento, confusa ou simplesmente desejosa de entregar uma intenção ao Senhor.

O serviço por WhatsApp revela-se particularmente eficaz nos dias de hoje: rápido, acessível, confidencial e disponível mesmo para quem não se sente à vontade para telefonar. Muitas pessoas preferem escrever, sobretudo quando partilham situações delicadas. A comunicação escrita permite formular com calma aquilo que se traz no coração, criando um ambiente de serenidade.

Por trás deste serviço não há automatismos nem respostas pré-definidas: há pessoas reais, voluntários da Comunidade Emanuel que dedicam parte do seu tempo à oração pelos outros. É um gesto humilde e silencioso, que não busca reconhecimento, mas que deseja levar a luz e a presença de Cristo a quem precisa.

O SOS Oração por WhatsApp é, por isso, um espaço de encontro espiritual, um pequeno farol de esperança disponível para todos. Seja qual for a intenção (agradecimento, sofrimento, decisão difícil, pedido por alguém doente, necessidade de paz) existe sempre alguém disposto a rezar consigo e por si. Porque Jesus vive, e porque a oração transforma vidas.

Porfsweb

aDeus, Steven Labat

Os caminhos do Senhor são assim mesmo: insondáveis, por vezes até mesmo incompreensíveis – sem a fé, claro.

O Pe Steven Labat, de 32 anos, era padre da Comunidade Emanuel há apenas um ano – egípcio, do Cairo, tinha sido ordenado pela diocese de Paris.

No passado sábado, foi encontrado morto no monte Sinai – na passada quinta-feira terá, com amigos, começado a escalar o monte para de lá contemplar o pôr e o nascer do sol… segundo a polícia local, não terá cometido nenhuma imprudência – terá tido um ataque cardíaco e caiu… foi um acidente, uma queda, neste caso mortal.

Oriundo de uma família abastada, tinha estudado direito e pensava seguir uma carreira artística, como alguns membros da sua família; aos 19 anos, sentiu o apelo do Senhor a “tornar-se pescador de homens”, e disse sim.

Fez grande parte do seu percurso de seminarista na Bélgica, onde a Comunidade Emanuel tem uma de várias casas de formação de seminaristas, e, aos 31 anos, foi ordenado padre. Desde então que estava no Cairo, na paróquia de Caint-Cyrille onde, para além dos trabalhos próprios da paróquia e da Comunidade Emanuel, trabalhava muito com jovens e no acompanhamento dos presos na prisão local.

No Cairo, os irmãos da Comunidade Emanuel estão devastados – era o primeiro padre da comunidade no Egipto, e uma grande esperança, depois de 20 anos de implantação no país. Os sonhos e os projectos de futuro, multiplicavam-se. Aos olhos do mundo, é um autêntico desastre, mas Deus sabe o que faz – declarou o responsável dos padres para a Europa e Médio-Oriente.

Partilhamos convosco um vídeo que ele gravou e produziu com um cântico do Emanuel, “Mais perto de ti, Senhor”: https://www.youtube.com/watch?v=ecMRNQofIrA

Porfsweb

Fórum 2022 – Na força do Espírito – emissão online de sábado

Programa completo em https://www.comunidade-emanuel.pt/forum/

Este ano, este evento anual proposto pela Comunidade Emanuel será em Coimbra, no Salão Paroquial da igreja de São José. Claro que poderá acompanhar todas as atividades online, aqui, a partir do YouTube – no entanto, teríamos imenso gosto que pudesse estar presencialmente conosco, no Salão de São José, em Coimbra.

O tema – “Na força do Espírito” – será desenvolvido por um irmão belga da comunidade, o Jean-Luc Moens, que até há poucos meses era também o Moderador Internacional da Charis. Contaremos ainda com a presença do bispo de Coimbra, D. Virgílio, que nos virá dar uma perspetiva de “Como é que o Espírito Santo conduziu a Igreja desde o Concílio Vaticano II”, e da Ir. Goreti, uma doroteia, que nos dará pistas concretas de como “Viver do Espírito Santo no quotidiano”.

Transmissão no sábado: https://youtu.be/x6lD3wo9rn0
Transmissão de Domingo: https://youtu.be/cEOPnZNx41M

Porfsweb

Partiu Hervé Marie Catta

Comunicamos a todos os nossos amigos que o n osso irmão Hervé Marie Catta entrou na luz de Deus na passada sexta-feira santa, 15 de abril de 2022.

Marido de Martine Catta e pai de 3 filhos, Hervé Marie dedicou a sua vida à evangelização, mesmo quando limitado ao seu quarto de hospital.

Veio várias vezes a Portugal, ao longo dos últimos 30 anos: falou em várias Assembleias do RCCP e deu frequentemente formação comunitária nos nossos encontros mensais.

Damos graças a Deus pela vida de Hervé Maria!

O funeral terá lugar na quinta-feira, 21 de abril, em Locarn (Côtes d’Armor), seguido de uma eucaristia às 14h30.

Porfsweb

A COMUNHÃO COM O CORPO E O SANGUE DE CRISTO – 3ª Pregação da Quaresma 2022

“Refletir sobre a Eucaristia é como ver escancarar-se diante de nós, à medida que avançamos, horizontes sempre mais vastos que se abrem um sobre o outro, a perder de vista. O horizonte cristológico da comunhão que contemplamos até aqui se abre, de fato, sobre um horizonte trinitário. Em outras palavras, por meio da comunhão com Cristo, nós entramos em comunhão com toda a Trindade.”

Fr. Raniero Cantalamessa, OFMCap. – Terceira Pregação, Quaresma de 2022

III Pregação da Quaresma do cardeal Cantalamessa

Em nossa catequese mistagógica sobre a Eucaristia ‒ após a Liturgia da Palavra e a Consagração ‒, chegamos ao terceiro momento, o da comunhão. Este é o momento da Missa que mais claramente expressa a unidade e a igualdade fundamental de todos os membros do povo de Deus, abaixo de qualquer distinção de posição e ministério. Até então, a distinção dos ministérios é visível: na liturgia da Palavra, a distinção entre a Igreja que ensina e a Igreja que aprende; na consagração, a distinção entre o sacerdócio ministerial e o sacerdócio universal. Na comunhão não há distinção. A comunhão recebida pelo simples batizado é idêntica à recebida pelo sacerdote ou pelo bispo. A comunhão eucarística é a proclamação sacramental de que a koinonia vem em primeiro lugar na Igreja e é mais importante que a hierarquia.

Reflitamos sobre a comunhão eucarística a partir de um texto de São Paulo:

O cálice da bênção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão (1Cor 10,16-17).

A palavra “corpo” recorre duas vezes nos dois versículos, mas com um significado diverso. No primeiro caso (“o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo?”), indica o corpo real de Cristo, nascido de Maria, morto e ressuscitado; no segundo (“somos um só corpo”), indica o corpo místico, a Igreja. Não se podia dizer de maneira mais sucinta e mais clara que a comunhão eucarística é sempre comunhão com Deus e comunhão com os irmãos; que nela há uma dimensão, por assim dizer, vertical uma dimensão horizontal. Partamos da primeira.

A Eucaristia comunhão com Cristo

Busquemos aprofundar qual gênero de comunhão se estabelece entre nós e Cristo na Eucaristia. Em João 6,57, Jesus diz: “Como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também o que comer de mim viverá por mim”. A preposição “por” (em grego, dià) tem aqui valor causal e final; indica tanto um movimento de proveniência e um movimento de destinação. Significa que quem come o corpo de Cristo vive “dele”, isto é, por causa dele, em virtude da vida que provém dele, e vive “em vista dele”, isto é, para sua glória, seu amor, seu Reino. Como Jesus vive do Pai e para o Pai, assim, comungando do santo mistério do seu corpo e do seu sangue, nós vivemos de Jesus e para Jesus.

É, de fato, o princípio vital mais forte que assimila a si o menos forte, não vice-versa. É o vegetal que assimila o mineral, não vice-versa; é o animal que assimila tanto o vegetal quanto o mineral, não vice-versa. Assim, agora, no nível espiritual, é o divino que assimila a si o humano, e não vice-versa. Enquanto que, em todos os outros casos, é aquele que come quem assimila a si o que come, aqui, aquele que é comido é quem assimila a si quem o come. A quem se aproxima para recebê-lo, Jesus repete o que dizia a Agostinho: “Não me transformarás em ti, mas te transformarás em mim”[1].

Um filósofo ateu afirmou: “O homem é o que come” (F. Feuerbach), querendo dizer que no homem não existe uma diferença qualitativa entre matéria e espírito, mas que tudo se reduz ao componente orgânico e material. Um ateu, sem saber, deu a melhor formulação de um mistério cristão. Graças à Eucaristia, o cristão é realmente o que come! Já escrevia, há muito tempo, São Leão Magno: “A nossa participação no corpo e no sangue de Cristo não tende a outra coisa senão a fazer com que nos tornemos o que comemos”[2].

Na Eucaristia, não há, portanto, apenas comunhão entre Cristo e nós, mas também assimilação, a comunhão não é apenas união de dois corpos, de duas mentes, de duas vontades, mas é assimilação ao único corpo, à única mente e vontade de Cristo. “Quem se une ao Senhor, torna-se com ele um só espírito” (1Cor 6,17).

Aquela da alimentação – do comer e do beber – não é a única analogia que temos da comunhão eucarística, ainda que insubstituível. Há algo que ela não pode expressar, como não pode a analogia da comunhão entre a videira o ramo: são comunhões entre coisas, não entre pessoas. Comungam, mas sem sabê-lo. Gostaria de insistir sobre uma outra analogia que pode nos ajudar a entender a natureza da comunhão eucarística enquanto comunhão entre pessoas que sabem e querem estar em comunhão.

A Carta aos Efésios diz que o matrimônio humano é um símbolo da união entre Cristo e a Igreja: “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Este mistério é grande – eu digo isto com referência a Cristo e à Chiesa!” (Ef 5,31-33). A Eucaristia ‒ para usar uma imagem audaz, mas verdadeira ‒ é a consumação do matrimônio entre Cristo e a Igreja, e uma vida cristã sem a Eucaristia é um matrimônio ratificado, mas não consumado. No momento da comunhão, o celebrante exclama: ” Felizes os convidados para a Ceia do Senhor.” (Beati qui ad coenam agni vocati sunt) e o Apocalipse – do qual a frase é tirada – diz ainda mais explicitamente: “Felizes os convidados para a ceia das bodas  do Cordeiro” (Ap 19,9).

Agora ‒ sempre segundo São Paulo ‒ a consequência imediata do matrimônio é que o corpo (isto é, a pessoa toda) do marido se torna da esposa, e vice-versa, o corpo da esposa se torna do marido (cf. 1Cor 7,4). Isto significa que a carne incorruptível e doadora de vida do Verbo encarnado se torna “minha”, mas também a minha carne, a minha humanidade, torna-se de Cristo, é apropriada por ele. Na Eucaristia, nós recebemos o corpo e o sangue de Cristo, mas também Cristo “recebe” o nosso corpo e o nosso sangue! Jesus, escreve Santo Hilário de Poitiers, assume a carne daquele que assume a sua[3]. Ele nos diz: “Toma, isto é o meu corpo”, mas também podemos dizer-lhe: “Toma, isto é o meu corpo”.

Busquemos entender as consequências de tudo isso. Em sua vida terrena, Jesus não fez todas as experiências humanas possíveis e imagináveis. Para começar, foi um homem, não uma mulher: não viveu a condição de metade da humanidade; não era casado, não experimentou o que significa estar unido por toda a vida a uma outra criatura, ter filhos, ou, pior, perder filhos; morreu jovem, não conheceu a velhice…

Mas agora, graças à Eucaristia, ele faz todas essas experiências. Vive na mulher a condição feminina, no enfermo, a enfermidade, no idoso, a velhice, no emigrante a precariedade, no bombardeado o terror… Não há nada em minha vida que não pertença a Cristo. Ninguém pode dizer: “Ah, Jesus não sabe o que significa ser casado, ser mulher, ter perdido um filho, estar doente, ser idoso, ser uma pessoa de cor!”. O que Cristo não pôde viver “segundo a carne”, vive e “experimenta” agora como ressuscitado “segundo o Espírito”, graças à comunhão esponsal da Missa. Tinha compreendido o motivo profundo disso Santa Isabel da Trindade, quando escrevia para sua mãe: “A esposa pertence ao esposo. O meu (Esposo) me tomou. Quer que eu seja para ele um acréscimo de humanidade”[4].

Que inesgotável motivo de estupor e consolação, pensar que a nossa humanidade se torna a humanidade de Cristo! Mas também, que responsabilidade tudo isso! Se os meus olhos se tornaram os olhos de Cristo, a minha boca, a de Cristo, eis o motivo para não permitir ao meu olhar se deter em imagens lascivas, à minha língua, não falar contra o irmão, ao meu corpo, não servir como instrumento de pecado. “Poderia eu fazer dos membros de Cristo membros de uma prostituta?”, escrevia aterrorizado São Paulo aos Coríntios (1Cor 6,15).

Todavia, ainda não é tudo; falta a parte mais bonita. O corpo da esposa pertence ao esposo; mas também o corpo do esposo pertence à esposa. Do dar, deve-se passar imediatamente, na comunhão, ao receber. Receber nada menos do que a santidade de Cristo! Onde se atuará, concretamente, na vida do fiel, aquela “maravilhosa troca” (admirabile commercium) de que fala a liturgia, se não se atua no momento da comunhão?

Aí temos a possibilidade de dar a Jesus os nossos farrapos e receber dele o “manto da justiça” (Is 61,10). De fato, está escrito que ele “se tornou para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção” (cf. 1Cor 1,30). O que ele se tornou “por nós” nos é destinado, pertence-nos. “Pois – escreve Cabasilas – como não pertencemos mais a nós mesmos, mas a Cristo que nos readquiriu a um alto preço (cf. 1Cor 6,20), daí segue-se que o que é de Cristo nos pertence, é mais nosso do que aquilo que provém de nós”[5]. Só precisamos lembrar de uma coisa: nós pertencemos a Cristo por direito, ele nos pertence pela graça!

É uma descoberta capaz de dar asas à nossa vida espiritual. Este é o golpe de audácia da fé, e deveríamos rezar a Deus que não nos permita morrer sem antes tê-lo realizado.

A Eucaristia, comunhão com a Trindade

Refletir sobre a Eucaristia é como ver escancarar-se diante de nós, à medida que avançamos, horizontes sempre mais vastos que se abrem um sobre o outro, a perder de vista. O horizonte cristológico da comunhão que contemplamos até aqui se abre, de fato, sobre um horizonte trinitário. Em outras palavras, por meio da comunhão com Cristo, nós entramos em comunhão com toda a Trindade. Em sua “oração sacerdotal”, Jesus diz ao Pai: “Que eles sejam um, como nós somos um. Eu neles e tu em mim” (Jo 17,23). Aquelas palavras: “Eu neles e tu em mim”, significam que Jesus está em nós e que em Jesus há o Pai. Por isso, não se pode receber o Filho sem receber, com ele, também o Pai. A palavra de Cristo: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9), significa também “quem me recebe, recebe o Pai”.

O motivo último disso é que Pai, Filho e Espírito Santo são uma única e inseparável natureza divina, são “um”. Escreve, a este propósito, Santo Hilário de Poitiers: “Nós estamos unidos a Cristo, que é inseparável do Pai. Ele, mesmo permanecendo unido ao Pai, permanece unido a nós; assim também nós chegamos à unidade com o Pai. De fato, Cristo está no Pai conaturalmente, enquanto dele gerado; mas, de certo modo, também nós, por meio de Cristo, estamos conaturalmente no Pai. Ele vive em virtude do Pai e nós vivemos em virtude da sua humanidade”[6].

O que se diz do Pai vale também para o Espírito Santo. Na Eucaristia, tem-se uma réplica sacramental do que aconteceu na vida terrena de Cristo. No momento do seu nascimento terreno, é o Espírito Santo quem doa Cristo ao mundo (Maria concebeu por obra do Espírito Santo!); no momento da morte, é Cristo quem doa ao mundo o Espírito Santo (morrendo, “entregou o Espírito”). De forma semelhante, na Eucaristia, no momento da consagração, é o Espírito Santo que nos doa Jesus (é pela ação do Espírito que o pão se transforma no corpo de Cristo!), no momento da comunhão é Cristo que, vindo a nós, doa-nos o Espírito Santo.

Santo Irineu (finalmente Doutor da Igreja!) diz que o Espírito Santo é “a nossa mesma comunhão com Cristo”[7]. Na comunhão, Jesus vem a nós como aquele que doa o Espírito. Não como aquele que um dia, há muito tempo, deu o Espírito, mas como aqueles que agora, consumado o seu sacrifício incruento sobre o altar, de novo, “entrega o Espírito” (cf. Jo 19, 30). A Eucaristia não é apenas a Páscoa diária; é também Pentecostes diário!

A comunhão uns com os outros

Destas alturas vertiginosas, voltemos agora à terra e passemos à segunda dimensão da comunhão eucarística: a comunhão com o corpo de Cristo que é a Igreja. Recordemos a palavra do Apóstolo: “Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão”.

Desenvolvendo um pensamento já esboçado na Didaké, Santo Agostinho vê uma analogia no modo em que se formam os dois corpos de Cristo: o eucarístico e o eclesial. No caso da Eucaristia, temos o grão de trigo primeiramente lançado nas colinas que, debulhado, moído, misturado na água e cozido ao fogo, torna-se o pão que chega sobre o altar; no caso da Igreja, temos a multidão das pessoas que, reunidas pela pregação evangélica, moídas pelos jejuns e pela penitência, misturadas na água do batismo e cozidas ao fogo do Espírito, formam o corpo que é a Igreja[8].

Imediatamente, vem ao nosso encontro, a este propósito, a palavra de Cristo: “Se, portanto, levares a tua oferenda ao altar, te lembrares de que teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua oferenda lá diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão e, então, volta para apresentar a tua oferenda” (Mt 5,23-24). Se você vai receber a comunhão, mas ofendeu um irmão e não se reconciliou, você se assemelha – dizia ainda Santo Agostinho ao povo – a alguém que vê chegar um amigo, o qual não via há anos. Você corre para encontrá-lo, você se levanta na ponta dos pés para beijar sua fronte… Mas, ao fazer este gesto, não se dá conta de que lhe está pisando os pés com calçados cheios de pregos[9]. Os irmãos e irmãs são os pés de Jesus que ainda caminha sobre a terra

Comunhão com os pobres

Isto vale, de modo especial, em relação aos pobres, aos aflitos e marginalizados. Aquele que disse sobre o pão: “Isto é o meu corpo”, disse também sobre o pobre. Disse-o quando, falando do que tiver sido feito para o faminto, o sedento, o preso e o nu, declarou solenemente: “Foi a mim que o fizestes!”. É como dizer: “Estava com fome, com sede, eu era o forasteiro, o doente, o prisioneiro” (cf. Mt 25,35ss). Já recordei outras vezes o momento em que esta verdade quase explodiu dentro de mim. Eu estava em missão em um país muito pobre. Caminhando pelas ruas da capital, eu via por todo lado crianças cobertas por farrapos sujos, que corriam atrás do caminhão de lixo para procurar algo para comer. Em um certo momento, era como se Jesus me dissesse interiormente: “Olha bem: aquilo é o meu corpo!”. Foi de tirar o fôlego.

A irmã do grande filósofo cristão Blaise Pascal relata o seguinte fato sobre seu irmão. Em sua última enfermidade, não conseguia reter nada do que comia e, por isso, não lhe permitiram receber o viático, que pedia insistentemente. Então disse: “Se não podem me dar a Eucaristia, deixem pelo menos que entre um pobre em meu quarto. Se não posso comungar a Cabeça, quero ao menos comungar com o seu corpo”[10].

O único impedimento para receber a comunhão que São Paulo menciona explicitamente é o fato de que, na assembleia, “um passa fome e outro se embriaga”: “De fato, quando vos reunis, não é para comer a ceia do Senhor, pois cada um se apressa em comer a sua própria ceia e, enquanto um passa fome, o outro se embriaga” (1Cor 11,20-21). Dizer “isto não é comer a ceia do Senhor” é como dizer: a sua não é mais uma verdadeira Eucaristia! É uma afirmação forte, também de um ponto de vista teológico, à qual talvez não prestemos bastante atenção.

Hoje em dia, a situação em que alguém passa fome e outro desperdiça comida não é mais um problema local, mas mundial. Não pode haver nada em comum entre a ceia do Senhor e o almoço do homem rico, onde o patrão tem um abundante banquete, ignorando o pobre que está fora da porta (cf. Lc 16,19ss). A preocupação de compartilhar o que se tem com quem necessita, próximos e distantes, deve ser parte integrante de nossa vida eucarística.

Não há ninguém que, querendo, não possa, durante a semana, cumprir um daqueles gestos de que fala Jesus: “Foi a mim que o fizestes”. Compartilhar não significa simplesmente “dar algo”: pão, roupas, hospitalidade; significa também visitar alguém: um prisioneiro, um doente, um idoso solitário. Não é dar apenas do próprio dinheiro, mas também do próprio tempo. O pobre e o sofredor precisam de solidariedade e amor, não menos do que de pão e roupas, sobretudo neste tempo de isolamento imposto pela pandemia.

Jesus disse: “Os pobres sempre tendes convosco, mas a mim não tereis sempre” (Mt 26,11). Isto é verdade também no sentido de que nem sempre podemos receber o corpo de Cristo na Eucaristia e, mesmo quando o recebemos, isto dura apenas alguns minutos, enquanto podemos sempre recebê-lo nos pobres. Aqui, não há limites, é necessário apenas que o queiramos. Os pobres estão sempre ao nosso alcance. Cada vez que encontramos alguém que sofre, especialmente se se trata de certas formas extremas de sofrimento, se estivermos atentos, ouviremos, com os ouvidos da fé, a palavra de Cristo: “Isto é o meu corpo!”.

Concluo com uma pequena história que li em algum lugar. Um homem vê uma menina desnutrida, descalça e tremendo de frio, e brada a Deus, quase com raiva: “Ó Deus, por que não fazes algo por aquela menina?”. Deus lhe responde: “Claro que fiz algo por aquela menina: eu te fiz!

Que Deus nos ajude a recordar disso no momento certo.

Porfsweb

Pierre Goursat e seus irmãos e irmãs!

Na passada sexta-feira, solenidade da Anunciação, foi também o dia em que celebrámos a nossa Comunidade – «a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será “Emanuel”, porque Deus está conosco» – é uma alegria compartilhar convosco este novo site: Pierre Goursat e seus irmãos e irmãs! (por enquanto apenas em inglês, francês e alemão).

https://www.pierregoursat.com/en/

Porfsweb

Texto da Consagração da Rússia e da Ucrânia e da Humanidade ao Imaculado Coração de Maria – 25 de março de 2022

Texto Oficial da Consagração da Rússia e da Ucrânia e da Humanidade ao Imaculado Coração de Maria – 25 de março de 2022

Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe,
recorremos a Vós nesta hora de tribulação.

Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos:
de quanto temos no coração,
nada Vos é oculto.

Mãe de misericórdia,
muitas vezes experimentamos
a vossa ternura providente,
a vossa presença que faz voltar a paz,
porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.

Mas perdemos o caminho da paz.
Esquecemos a lição
das tragédias do século passado,
o sacrifício de milhões de mortos
nas guerras mundiais.
Descuidamos os compromissos assumidos
como Comunidade das Nações
e estamos a atraiçoar
os sonhos de paz dos povos
e as esperanças dos jovens.
Adoecemos de ganância,
fechamo-nos em interesses nacionalistas,
deixamo-nos ressequir pela indiferença
e paralisar pelo egoísmo.

Preferimos ignorar Deus,
conviver com as nossas falsidades,
alimentar a agressividade,
suprimir vidas e acumular armas,
esquecendo-nos que somos guardiões
do nosso próximo e da própria casa comum.

Dilaceramos com a guerra
o jardim da Terra,
ferimos com o pecado
o coração do nosso Pai,
que nos quer irmãos e irmãs.
Tornamo-nos indiferentes a todos e a tudo, exceto a nós mesmos.
E, com vergonha, dizemos:
perdoai-nos, Senhor!

Na miséria do pecado,
das nossas fadigas e fragilidades,
no mistério de iniquidade do mal e da guerra,
Vós, Mãe Santa,
lembrai-nos que Deus não nos abandona,
mas continua a olhar-nos com amor,
desejoso de nos perdoar
e levantar novamente.

Foi Ele que Vos deu a nós
e colocou no vosso Imaculado Coração
um refúgio para a Igreja e para a humanidade.

Por bondade divina,
estais connosco e conduzis-nos com ternura
mesmo nos transes
mais apertados da história.

Por isso recorremos a Vós,
batemos à porta do vosso Coração,
nós os vossos queridos filhos
que não Vos cansais
de visitar em todo o tempo e convidar à conversão.

Nesta hora escura,
vinde socorrer-nos e consolar-nos.
Repeti a cada um de nós:
«Não estou porventura aqui Eu,
que sou tua mãe?»
Vós sabeis como desfazer os emaranhados do nosso coração
e desatar os nós do nosso tempo.

Repomos a nossa confiança em Vós.
Temos a certeza de que Vós,
especialmente no momento da prova,
não desprezais as nossas súplicas
e vindes em nosso auxílio.

Assim fizestes em Caná da Galileia,
quando apressastes
a hora da intervenção de Jesus
e introduzistes no mundo o seu primeiro sinal.
Quando a festa se mudara em tristeza,
dissestes-Lhe: «Não têm vinho!» (Jo 2, 3).

Ó Mãe, repeti-o mais uma vez a Deus,
porque hoje esgotamos o vinho da esperança,
desvaneceu-se a alegria,
diluiu-se a fraternidade.

Perdemos a humanidade,
malbaratamos a paz.
Tornamo-nos capazes
de toda a violência e destruição.
Temos necessidade urgente
da vossa intervenção materna.

Por isso acolhei, ó Mãe,
esta nossa súplica:
Vós, Estrela do mar,
não nos deixeis naufragar
na tempestade da guerra;
Vós, arca da nova aliança,
inspirai projetos e caminhos de reconciliação;
Vós, «terra do Céu»,
trazei de volta ao mundo
a concórdia de Deus;
Apagai o ódio,
acalmai a vingança,
ensinai-nos o perdão;
Libertai-nos da guerra,
preservai o mundo da ameaça nuclear;
Rainha do Rosário,
despertai em nós
a necessidade de rezar e amar;
Rainha da família humana,
mostrai aos povos
o caminho da fraternidade;
Rainha da paz,
alcançai a paz para o mundo.

O vosso pranto, ó Mãe,
comova os nossos corações endurecidos.
As lágrimas, que por nós derramastes,
façam reflorescer este vale
que o nosso ódio secou.

E, enquanto o rumor das armas não se cala,
que a vossa oração
nos predisponha para a paz.
As vossas mãos maternas
acariciem quantos sofrem
e fogem sob o peso das bombas.
O vosso abraço materno
console quantos são obrigados
a deixar as suas casas e o seu país.
Que o vosso doloroso Coração
nos mova à compaixão
e estimule a abrir as portas
e cuidar da humanidade
ferida e descartada.

Santa Mãe de Deus,
enquanto estáveis ao pé da cruz,
Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós, disse-Vos:
«Eis o teu filho!» (Jo 19, 26).

Assim Vos confiou cada um de nós.
Depois disse ao discípulo,
a cada um de nós:
«Eis a tua mãe!» (19, 27).
Mãe, agora queremos acolher-Vos
na nossa vida e na nossa história.

Nesta hora, a humanidade,
exausta e transtornada,
está ao pé da cruz convosco.
E tem necessidade de se confiar a Vós,
de se consagrar a Cristo por vosso intermédio.

O povo ucraniano e o povo russo,
que Vos veneram com amor,
recorrem a Vós,
enquanto o vosso Coração
palpita por eles
e por todos os povos ceifados pela guerra,
a fome, a injustiça e a miséria.

Por isso nós, ó Mãe de Deus e nossa,
solenemente confiamos
e consagramos ao vosso Imaculado Coração
nós mesmos,
a Igreja e a humanidade inteira,
de modo especial a Rússia e a Ucrânia.

Acolhei este nosso ato
que realizamos com confiança e amor,
fazei que cesse a guerra,
providenciai ao mundo a paz.

O sim que brotou do vosso Coração
abriu as portas da história ao Príncipe da Paz;
confiamos que mais uma vez,
por meio do vosso Coração, virá a paz.

Assim a Vós consagramos
o futuro da família humana inteira,
as necessidades e os anseios dos povos,
as angústias e as esperanças do mundo.

Por vosso intermédio,
derrame-se sobre a Terra
a Misericórdia divina
e o doce palpitar da paz
volte a marcar as nossas jornadas.

Mulher do sim,
sobre Quem desceu o Espírito Santo,
trazei de volta ao nosso meio
a harmonia de Deus.

Dessedentai a aridez do nosso coração,
Vós que «sois fonte viva de esperança».

Tecestes a humanidade para Jesus,
fazei de nós artesãos de comunhão.

Caminhastes pelas nossas estradas,
guiai-nos pelas sendas da paz.

Ámen.